ENTREVISTA

Luis de Matos

ENTREVISTA - LUÍS DE MATOS – UM MÁGICO EM ASCENSÃO

Luís de Matos, o mágico que revolucionou a arte do ilusionismo em Portugal, e cujo nome já é uma referência a nível internacional, abordou, em entrevista ao «Inside», o percurso da sua carreira e alguns dos mistérios fascinantes de um espectáculo que continua a atrair diferentes gerações e estratos sociais.

INSIDE – Em que idade lhe nasceu o gosto pelo ilusionismo e que motivações estiveram na sua origem?
LUÍS DE MATOS –O gosto pela magia surgiu-me quando eu tinha oito ou nove anos, numa altura em que todos os miúdos são movidos por múltiplas paixões, que vão desde os desportos, em que agora se é atraído pelo andebol e logo pelo pingue-pongue, pelo futebol ou pelo basquete, passando pela música, pelos vídeo-jogos ou pelas mais diversas áreas da actividade humana, até que, num dado momento é feita uma opção. Eu também fiz todas essas experiências, mas a magia acabou por suplantar todas as outras, por motivações que não poderei especificar em concreto, dado não ter por exemplo antecedentes familiares nesta matéria, mas que me levaram a conciliar até um certo momento a pesquisa, e prática da magia, com a carreira académica. Fiz o bacharelato em engenharia agro-pecuária, integrei o corpo docente da própria escola onde me formei, em Coimbra, até que cheguei à conclusão de que as duas actividades eram incompatíveis, passando a dedicar-me em exclusivo à magia. E já lá vão bastantes anos, não estando até agora arrependido da opção tomada.

INSIDE – Os conhecimentos relativos ao ilusionismo desenvolvem-se naturalmente ou são necessárias escolas para incentivar e burilar esse talento?
LUÍS DE MATOS – Em minha opinião desenvolvem-se naturalmente, sempre na procura de informação onde ela muitas vezes não existe. Quando eu comecei nas minhas pesquisas o meio mágico era muito hermético na área da formação e pouco acessível às fontes do saber. Presentemente tudo se tornou mais fácil, há mais livros à venda, há muitos filmes dessa temática, há a Internet, as caixas de magia, mas numa primeira fase passa quase tudo pelo autodidactismo e pela maneira como cada um dá eco à sua própria imaginação. Porque o ilusionismo é uma das poucas áreas da criatividade humana em que não há limite para a imaginação. Quer da imaginação do mágico que cria e protagoniza as ilusões, quer de cada espectador que as sente. Porque a magia é certamente a mais antiga das artes. Já o homem das cavernas descobrira que atirando um pozinho amarelo, que mais tarde se soube ser enxofre, sobre as labaredas estas aumentavam de tamanho e de intensidade, tendo ele percebido rapidamente que fazendo isso acabava por obter a admiração, e o domínio, sobre os seus pares. Essa prática de criar ilusões foi seguida depois ao longo dos tempos por chefes tribais, feiticeiros, caudilhos políticos e pelas diferentes religiões, existindo registos de magia em algumas igrejas, mosteiros e outros locais de culto, disfarçados nos altares, nas portas e nos tectos, para aumentarem esse ascendente sobre os fiéis.

INSIDE – O que lhe diz por exemplo o nome de Saúl Fernandes de Aguilar, antigo aluno da Casa Pia de Lisboa, que ficou conhecido no meio artístico por «Conde de Aguillar»? E a propósito: quem considera o maior ilusionista de todos os tempos, a nível nacional e à escala planetária?
LUÍS DE MATOS –Em Portugal o «Conde de Aguillar», que não cheguei a ver actuar, marcou de facto uma época, talvez pela aura de mistério com que rodeava a sua personagem e do jogo cénico com que envolvia os seus espectáculos. Mas, pelo que me foi dado investigar, em termos globais ele foi suplantado no seu tempo pelo, Jolson a quem entrevistei para a televisão 15 dias antes da sua morte, o qual tinha mais qualidade, sendo mais original e criativo. Já no que se refere ao maior ilusionista de todos os tempos, à escala planetária, talvez seja o húngaro Harry Houdini aquele que mais se destacou até agora, conseguindo pela espectacularidade das suas intervenções fazer incidir sobre a sua figura os holofotes da fama, numa época em que a mediatização ainda não era um fenómeno muito comum.

INSIDE – Tem alguma actuação na sua carreira que lhe mereça um destaque especial?
LUÍS DE MATOS – Para mim a actuação que eu mais gosto de destacar é aquela que irei fazer a seguir, pois será sempre aquela que eu irei realizar com maior empenho e um saber sempre acrescentado,tal como sucede agora com este espectáculo «Enigma», que, depois de ter passado com êxito redobrado pelo Centro Cultural de Belém e pelo Casino Estoril, vai continuar o seu percurso por várias terras de Portugal e Espanha.

INSIDE- Que projectos para o futuro?
LUÍS DE MATOS – Continuar a progredir na minha carreira, rodeado como até aqui pelo carinho e entusiasmo do público de todas as idades, contando com o apoio insubstituível e a versatilidade da minha pequena, grande equipa, de dez pessoas, que já é quase uma família. Por outro lado, no final deste ano irei inaugurar, em Ansião, um novo centro de produção, que, dotado com melhores condições do que as existentes em Coimbra, onde desde o início tenho estado sediado, ir-me-á permitir um salto qualitativo no trabalho que pretendo vir a desenvolver no futuro.






Autor: Manuel Geraldo
Data: Janeiro/2006



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