Literatura

"Escrever descreve a minha nudez"

Gledston César

"Existem pessoas que não desistem, são mais fortes que seus desertos e suas perdas.“

Ler e escrever são dois momentos complementares e fundamentais para a saúde da nossa vida e da nossa relação com as emoções.
Sendo complementares, leitura e escrita nem sempre andam a par e, sobretudo, têm funções e obedecem a movimentos diferentes.

Vidas, guardar vidas, oferecer algumas e a possibilidade de se prolongarem nas páginas de um livro e na leitura dos seus leitores. Foi nesta aventura fantástica que o Gleidston César se meteu e nos presenteou, em todas as suas obras.

I.F. O que sentes quando escreves?
G.C. Por vezes dor, outras vezes uma liberdade única, inexplicável, escrever descreve a minha nudez.

I.F. Quem é o Gleidston César? Existe diferença entre o escritor e a pessoa?
G.C. Não. Mas o Gleidston escritor, é mais corajoso, menos introspectivo, mas ambos complementares.


I.F. Como foi a tua primeira experiência editorial?
G.C. Lembro-me que estava perdido, sonhava em ver o livro editado, de resto não percebia nada, mas tive a sorte de encontrar uma pessoa na minha trajetória literária, que hoje é inevitável não falar dela: Isabel Fontes. Foi fundamental, e ainda o é. Foi nessa altura que nos conhecemos. Recordo-me que nosso primeiro contato você disse: César, não podes assinar esse contrato, você é maluco ou quê?! Essas cláusulas não existem, estão a te enganar (...) a verdade é que nunca cheguei assinar, segui seu conselho e estou feliz por tê-lo feito.


I.F. Já nos conhecemos há alguns anos, além de um dos escritores que gosto de ler tenho a vantagem de te ter como amigo. Antes da edição da tua primeira obra estavas a recomeçar uma vida nova em Portugal. Como foi para ti sentir o apoio da tua família?
G.C. Fundamental, sem esse apoio, julgo que talvez não teria conseguido ultrapassar todas as barreiras. Ser emigrante, por mais bem recebido que possas ser, você nunca deixará de ser, e por vezes não é fácil, por que é uma constante ter que provar a todo momento que não só merece, mas que também é uma pessoa digna, credível e merecedor da confiança dos nacionais. Mas devo fazer juízo, Portugal foi a melhor decisão, a melhor escolha, sentimo-nos em casa, e cada dia que vivemos aqui, tentamos deixar evidente que amamos esse País, seu povo e a sua cultura.


I.F. Tive o prazer e honra de te acompanhar na edição de duas das tuas obras de perto e da terceira de longe. Criaste o teu público e és bastante acarinhado. Além das obras já editadas, tens participado em antologias. Como tem sido o teu percurso literário?
G.C. É verdade, você é a grande culpada por tudo isso, sempre estive lá, com uma palavra de incentivo e apoio.
Tem sido um percurso interessante, a escrita tem me surpreendido no cotidiano, me presenteado com amigos e leitores que respeitam a minha pessoa, e esse respeito é mútuo, daí o resultado desse carinho maravilhoso pelo qual referistes.


I.F. Como leitora, gostava de saber o que posso esperar de Gleidston César escritor?
G.C. Coerência, dedicação e muita inquietação, por que o mundo em que vivo, não me deixa em paz.

I.F. Escrever e dedicarmo-nos à escrita é sempre uma tarefa árdua. Como tem sido para ti este percurso a nível pessoal?
G.C. Um aprendizado, e todo esse esforço têm valido a pena.


I.F. Que te reserva 2016, podes avançar com algo?
G.C. Há romance em revisão, e um livro de poesias que você conhece e está a par pronto para ser editado, 2016, com certeza será mais um ano para continuar aprender e concretizar objetivos.
Desejo-lhe um ano de 2016 em grande minha amiga.



Bem Haja amigo Gleidston, e que 2016 seja o teu cunho, a tua marca. Que do "papel" se tornem Realidades as tuas Palavras.
Feliz 2016.


Autor: Isabel Fontes
Data: 17/01/16


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