Um especialista em fiscalidade avisa que o IRS em Portugal vai mudar já no próximo ano

José Fonseca

13 de Agosto, 2026

Um aviso de um especialista trouxe de volta um tema que mexe com o bolso de todos: as regras do IRS poderão sofrer ajustes já no próximo ano. O cenário não é de alarme, mas de atenção. Quem acompanha de perto a política fiscal vê sinais claros de que o sistema vai procurar mais coerência entre inflação, rendimento disponível e incentivos económicos. E isso significa uma palavra-chave para os próximos meses: preparação.

"Não espero uma revolução, mas sim um conjunto de afinamentos com impacto real no cálculo do imposto", diz o tal especialista, sublinhando que os contribuintes mais atentos conseguem transformar incerteza em oportunidade.

O que pode mudar nas taxas e escalões

A atualização dos escalões em linha com a inflação é quase inevitável para evitar subidas de imposto por simples efeito de preços. Poderá haver correções nas taxas marginais, pequenas mas relevantes, sobretudo no meio da tabela, onde se concentra a maioria dos rendimentos do trabalho.

Outro ponto sensível é a retenção na fonte. "Se a tabela de retenções não acompanhar os novos escalões, muita gente pagará mais mês a mês e receberá menos no acerto anual", alerta o especialista. Ajustes finos aqui podem suavizar a liquidez das famílias e reduzir surpresas em abril.

Deduções e benefícios na mira

As deduções com saúde, educação, lares e habitação costumam ser revistas, seja no teto, seja nos limites de despesa elegível. Benefícios como PPR, donativos e incentivos à eficiência energética também podem ganhar novo desenho para alinhar o comportamento do contribuinte com metas de política pública.

Nos últimos anos, surgiram medidas direcionadas a jovens e a quem muda de emprego ou regressa ao país. É plausível ver aperfeiçoamentos em regimes como o IRS Jovem, para equilibrar mobilidade, qualificação e retenção de talento. "Veremos menos dispersão e mais foco: ou se incentiva bem, ou não se incentiva nada", resume o especialista.

Trabalhadores independentes: foco no recibo verde

No universo dos recibos verdes, as mudanças chegam via coeficientes do regime simplificado, enquadramento em IVA e regras de retenção. Uma alteração mínima num coeficiente tem efeito amplificador no rendimento coletável, sobretudo em profissões de serviços. Quem está próximo dos limites entre regimes pode rever já o planeamento para 2025.

"Não é apenas quanto se fatura, é como se comprova a despesa e se organiza a contabilidade", lembra o especialista. Investir em registo rigoroso, separar despesas pessoais e profissionais, e garantir documentação idónea pode ser a diferença entre pagar o justo e pagar a mais.

Rendimentos prediais e de capitais

A tributação de rendas e juros/dividendos tem sido palco de ajustes frequentes. Debatem-se taxas autónomas, opções de agregação ao englobamento e incentivos à oferta de habitação. Pequenas mudanças aqui mexem com decisões de investimento, duração de contratos e rentabilidade líquida.

Para quem arrenda, a atenção vai para prazos de contratos, estabilidade de inquilinos e eventuais bonificações por arrendamento acessível. Para quem investe em capitais, a escolha entre englobar ou ficar na taxa liberatória pode exigir simulações com cenários de taxas diferentes.

Digitalização e cumprimento

O Portal das Finanças e a declaração pré-preenchida ficam cada vez mais inteligentes. Isso vem com mais conveniência, mas também com cruzamento de dados mais fino. "Erros por rotina vão ser mais expostos", nota o especialista. Validar faturas no e‑Fatura, corrigir NIF dos dependentes e acompanhar mensagens na área reservada reduzem riscos de coimas e atrasos.

Espera-se também um empurrão à simplificação: menos campos redundantes, instruções mais claras e timelines mais estáveis. A boa notícia é que cumprir pode ficar mais rápido; a má é que a margem para distrações encolhe.

Como se preparar desde já

"Planeamento fiscal não é só para empresas; é para qualquer família", reforça o especialista. Em contexto de mudança, valem gestos simples e consistentes:

  • Rever a sua retenção na fonte, simular cenários e evitar surpresas no acerto final
  • Organizar faturas no e‑Fatura e manter comprovativos de despesas dedutíveis
  • Reavaliar seguros, PPR e produtos de poupança com impacto fiscal
  • Negociar prazos e valores em contratos de arrendamento ou prestação de serviços
  • Falar com um contabilista ou consultor para identificar riscos e oportunidades

O essencial é não adiar. Mudanças moderadas somam impacto ao longo do ano, principalmente para quem vive no limite de escalões. Pequenas decisões de calendário, como antecipar uma despesa ou fracionar um rendimento, podem virar o jogo.

"Quem olha o IRS apenas em março chega tarde", remata o especialista. Acompanhar a discussão pública, testar simuladores e organizar informação financeira são hábitos que pagam dividendos. Porque, quando a roda gira, está melhor preparado quem já estava em movimento.

José Fonseca

José Fonseca

Sou o José, redator do Jornal Inside e apaixonado por tudo o que envolve música, cinema e cultura pop. Gosto de transformar tendências e bastidores em histórias que prendem o leitor. Escrevo para que cada notícia seja uma porta aberta para o universo vibrante do entretenimento.