Aditivos alimentares: os conservantes que você deve evitar agora — a lista essencial que todo mundo precisa conhecer, segundo dois estudos científicos

José Fonseca

30 de Março, 2026

Introduzidos em praticamente todos os segmentos da indústria, os conservantes ajudam a prolongar a vida útil dos alimentos, mas podem trazer riscos. Dois estudos franceses conduzidos por pesquisadores do Inserm associam uma ingestão elevada de certos compostos a maior probabilidade de câncer e de diabetes tipo 2. Na prática, isso reforça a importância de ler rótulos, reconhecer os códigos “E” e reduzir o consumo de produtos ultraprocessados.

O que revelam as novas pesquisas

As análises, publicadas na Nature Communications e no The BMJ, apontam que uma maior exposição a determinados conservantes se relaciona a maior risco de doença. Em um dos trabalhos, com mais de 105 mil participantes, foram confirmadas milhares de ocorrências de câncer, incluindo casos de mama, próstata e cólon. Embora observacionais, os achados são consistentes com dados experimentais e indicam a necessidade de prudência.

Conservantes associados ao diabetes tipo 2

O consumo mais alto de vários conservantes foi vinculado a maior incidência de diabetes tipo 2. Entre 17 compostos avaliados individualmente, 12 mostraram associação com aumento de risco, com destaque para substâncias de uso muito amplo em alimentos cotidianos. Isso inclui itens presentes em laticínios, produtos de panificação, charcutaria e pratos prontos.

Principais aditivos sob vigilância:

  • Sorbato de potássio (E202): comum em queijos, produtos de panificação, certas carnes curadas e molhos.
  • Metabissulfito de potássio (E224): frequente em frutas secas, vinhos, condimentos e frutos do mar.
  • Nitrito de sódio (E250): típico de carnes e peixes processados, além de diversas charcutarias.
  • Ácido acético (E260) e acetato de sódio (E262): presentes em conservas, pães, sauces e até alimentos para bebês.
  • Propionato de cálcio (E282): usado em pães, bolos e produtos de confeitaria.
  • Antioxidantes como ascorbato de sódio (E301), alfa-tocoferol (E307), eritorbato de sódio (E316), ácido cítrico (E330), ácido fosfórico (E338) e extratos de alecrim (E392) também surgiram como potenciais preocupações.

Essas substâncias podem atuar sobre a microbiota, influenciar vias inflamatórias e alterar a resposta metabólica à glicose, mecanismos compatíveis com maior resistência à insulina. A interpretação deve ser cautelosa, mas o recado é claro: quanto mais processado o produto, maior a chance de conter um “coquetel” de aditivos.

Conservantes associados ao câncer

O segundo estudo associou maior consumo de alguns conservantes a risco acrescido de câncer no geral e de tipos específicos. Os dados sugerem aumento de 14% no risco global com sorbatos (E200–E203), sobretudo o E202, e de 12% com sulfitos (E220–E228), destacando o E224. Para o nitrito de sódio (E250), observou-se elevação de 32% no risco de próstata, enquanto o nitrato de potássio (E252) foi ligado a acréscimo de risco global (13%) e de mama (22%). Já os acetatos (E260–E263) foram associados a aumento do risco global (15%) e de mama (25%), incluindo efeito de 12% para o ácido acético (E260). Entre antioxidantes, o eritorbato de sódio (E316) apareceu relacionado a aumento de risco global (12%) e de mama (21%).

Embora percentuais pareçam modestos, seu impacto populacional pode ser relevante, dada a ampla exposição. O efeito combinado de múltiplos aditivos, em diferentes alimentos, tende a ampliar a preocupação.

Como identificar e reduzir a exposição

  • Prefira alimentos frescos e minimamente processados.
  • Leia a lista de ingredientes e desconfie de rótulos longos repletos de “E-códigos”.
  • Reduza a frequência de charcutaria, embutidos e pratos prontos.
  • Cozinhe mais em casa e congele porções para evitar praticidade baseada em ultraprocessados.
  • Varie marcas e evite consumo diário dos mesmos itens industrializados.

“Mesmo que necessitem de confirmação, os resultados convergem com evidências experimentais de efeitos adversos e justificam prudência e reavaliação regulatória”, afirma a pesquisadora do Inserm, Mathilde Touvier.

E agora, regulação e próximos passos

Os autores defendem que as autoridades reavaliem limites e usos de certos conservantes, especialmente onde existam alternativas seguras e processos tecnológicos que reduzam a necessidade de aditivos. Para consumidores, o caminho é privilegiar qualidade e simplicidade: menos rótulos complexos, mais ingredientes reconhecíveis. Em síntese, escolhas informadas e uma alimentação menos ultraprocessada tendem a reduzir a exposição a compostos sob suspeita, sem abrir mão de segurança nem de sabor.

José Fonseca

José Fonseca

Sou o José, redator do Jornal Inside e apaixonado por tudo o que envolve música, cinema e cultura pop. Gosto de transformar tendências e bastidores em histórias que prendem o leitor. Escrevo para que cada notícia seja uma porta aberta para o universo vibrante do entretenimento.