Descoberta histórica? Lendário Planeta 9 pode ter sido finalmente encontrado graças aos dados de um antigo telescópio japonês

José Fonseca

23 de Março, 2026

Um novo fôlego tomou conta da comunidade de astronomia com a análise de antigos dados do telescópio japonês AKARI. Dois objetos discretos emergiram como possíveis candidatos ao enigmático Planeta 9, levantando a hipótese de que ele pode enfim ter sido detectado. A busca, que já dura quase uma década, ganhou tração ao combinar simulações dinâmicas com observações em infravermelho. Mesmo assim, a confirmação exigirá um esforço coordenado e instrumentos ainda mais sensíveis.

O enigma do Planeta 9

A proposta do Planeta 9 surgiu para explicar órbitas anômalas de objetos transnetunianos muito além de Netuno. Esses corpos seguem trajetórias inclinadas e altamente alongadas, sugerindo a influência de um perturbar gravitacional invisível. Modelos apontam para um mundo com entre 5 e 10 massas terrestres, orbitando a centenas de unidades astronômicas do Sol. Tão distante, ele seria extremamente frio e escuro no visível, emitindo melhor em comprimentos de onda infravermelhos.

Dois candidatos ao Planeta 9 foram identificados em dados do AKARI, desativado desde 2011.

O papel do AKARI

O AKARI, da agência espacial JAXA, foi um telescópio espacial dedicado ao infravermelho com um espelho de 67 centímetros. Seu objetivo era mapear todo o céu em múltiplas bandas, detectando fontes frias e pouco luminosas. Para isso, operava resfriado com hélio líquido, minimizando o brilho térmico do próprio instrumento. Embora tenha sido desativado em 2011, seu legado de dados segue rendendo descobertas valiosas.

Como procurar um fantasma gelado

Detectar um objeto tão frio exige sair do visível e vasculhar o infravermelho distante. A equipe concentrou-se numa região do céu onde simulações apontavam maior probabilidade de detecção do Planeta 9. O objetivo foi identificar fontes quase estacionárias em um dia, mas com deslocamento sutil ao longo de meses. Esse padrão distingue um corpo do Sistema Solar de galáxias distantes praticamente fixas.

  • Cruzar múltiplas passagens do levantamento em todo o céu.
  • Procurar brilho compatível com um objeto distante e muito frio.
  • Medir deslocamentos lentos, porém detectáveis, entre épocas.
  • Eliminar ruídos e confundir fontes com galáxias infravermelhas.
  • Verificar consistência com simulações dinâmicas.

Dois candidatos emergem

Após filtrar o ruído e descartar fontes extragalácticas muito distantes, restaram dois candidatos na área prevista pelas simulações. Ambos apresentam emissão no infravermelho coerente com um corpo gelado e pouco brilhante no espectro visível. O movimento aparente, ínfimo mas mensurável em janelas de meses, reforça a possibilidade de natureza solar. Se confirmados, marcarão um passo decisivo rumo ao primeiro retrato do Planeta 9.

O AKARI mapeou todo o céu no infravermelho.
O AKARI varreu o céu no infravermelho, ideal para fontes frias e pouco luminosas. Crédito: JAXA

“Encontrar um ponto tão fraco no infravermelho, movendo-se apenas um pouco ao longo de meses, é como seguir o rastro de um fantasma cósmico em uma noite de neblina.”

O que falta confirmar

A validação requer observações com telescópios mais atuais, inclusive o James Webb em bandas de médio-infravermelho. O Observatório Vera C. Rubin, com o levantamento LSST, poderá rastrear o movimento lento com imagens profundas e repetidas. Medidas de paralaxe e arco de órbita ao longo dos anos vão fixar distância e massa com maior precisão. Até lá, os candidatos permanecem sob cautelosa vigilância científica.

Implicações para o Sistema Solar

Confirmar o Planeta 9 reescreveria capítulos da dinâmica do Sistema Solar externo. Poderia elucidar o agrupamento de órbitas transnetunianas e a arquitetura da Cintura de Kuiper. Também testaria cenários de formação, como migração planetária extrema ou captura de um objeto interestelar massivo. Mais amplamente, ajudaria a comparar o nosso sistema com exoplanetários cheios de superterras e mini-Netunos.

Uma busca de paciência e precisão

A estratégia de recuperar ciência de arquivos antigos mostra o poder dos repositórios abertos e da análise cuidadosa de dados. Instrumentos desativados ainda podem revelar pistas quando combinados com novos modelos e técnicas. O caminho até a confirmação exigirá transparência, réplicas independentes e observações complementares. Se o “novo” planeta estiver mesmo lá, a recompensa científica será imensa.

Referência: Chen et al. (2025), “A far-infrared search for planet nine using AKARI all-sky survey”, Publications of the Astronomical Society of Australia.

José Fonseca

José Fonseca

Sou o José, redator do Jornal Inside e apaixonado por tudo o que envolve música, cinema e cultura pop. Gosto de transformar tendências e bastidores em histórias que prendem o leitor. Escrevo para que cada notícia seja uma porta aberta para o universo vibrante do entretenimento.