Esqueça o Porto cheio de turistas: esta cidade do Norte tem o mesmo encanto e nenhuma fila

José Fonseca

18 de Setembro, 2026

Há um refúgio no Norte onde a vida anda mais devagar e a beleza é pura substância. Entre colinas de granito e janelas com gerânios, a cidade de Guimarães guarda um encanto que se revela sem pressa e sem multidões. Aqui, cada esquina tem uma história, e cada praça convida a um café sem olhar para o relógio.

Os sinos marcam a hora, mas ninguém parece ter pressa. O ritmo é de conversa à porta, de lojas antigas com cheiros de madeira, de varandas onde se seca roupa e se troca um aceno. “É uma cidade para ver com os pés e com o coração”, diz um artesão, enquanto mostra um bordado de linhas brancas sobre linho cru.

O centro histórico sem pressa

O centro classificado pela UNESCO é um tabuleiro de praças vivas e ruelas de pedra lisa. No Largo da Oliveira, as arcadas oferecem sombra e cadeiras de vime, perfeitas para um copo de vinho ao fim da tarde. A poucos passos, a Praça de Santiago abre-se como um palco de azulejos, sacadas e conversas baixas.

A beleza está nos detalhes: nos ferros forjados, nas portas coloridas, nos letreiros com tipografia de outra era. Pare, respire e ouça o murmúrio da cidade que vive sem estrondo. “Aqui ainda se cumprimenta o vizinho”, sussurra uma moradora com um sorriso aberto.

Castelos, artes e calçada

O castelo ergue-se com a severidade do granito e a leveza das histórias de infância. Suba a muralha, sinta o vento frio no rosto e imagine estandartes a ondular. Depois, atravesse o jardim até ao Paço dos Duques, um palácio de telhados cónicos e salões onde o silêncio é quase musical.

A poucos minutos, a Plataforma das Artes e da Criatividade rompe com o passado de forma suave. No CIAJG, a arte contemporânea conversa com máscaras africanas e objetos rituais, num diálogo que alarga o olhar. “Não temos filas, temos tempo”, comenta um mediador cultural, orgulhoso da cidade que acolhe sem alarde.

Se quiser horizonte, apanhe o teleférico até à Penha. O bosque cheira a resina e a cidade surge lá em baixo como um presépio de telhados ocres. Traga um casaco leve, porque a sombra é fresca e o vento sabe a montanha.

Sabores que contam histórias

A mesa é farta e o Minho não sabe ser de metade. Há vitela assada que derrete na língua, rojões com papas de sarrabulho em puro registo de inverno, e bacalhau à moda da região, generoso no alho e na cebola bem dourada. Para começar, um caldo verde macio, e para brindar, um copo de Vinho Verde jovem e muito vivo.

Na doçaria, peça as Tortas de Guimarães, que trazem amêndoa e doce de gema num abraço morno. Também o toucinho do céu é pecado com pedigree antigo. “Cozinhamos o que a terra dá, sem pressas e com verdadeira alma”, diz uma cozinheira, entre panelas que fumegam e risos de cozinha.

Roteiro leve para um fim de semana

  • Manhã: passeio pelo Largo da Oliveira e Praça de Santiago, café demorado e visita ao Paço dos Duques, com paragem no claustro mais silencioso da cidade.
  • Tarde: castelo e muralhas, salto à Plataforma das Artes e ao CIAJG, seguido de um copo em esplanada ensolarada.
  • Noite: jantar minhoto, vinho fresco e caminhada pelas ruelas de luz amarela e música baixa.
  • Dia seguinte: teleférico à Penha, trilho curto no bosque e almoço de vitela assada, antes de comprar um bordado de Guimarães.

Dicas práticas

Chegar é fácil: de Porto, o comboio sai de São Bento e chega em pouco mais de uma hora, com vistas de vinhas e casas de campo. De carro, a A7 e a A3 fazem o resto com estradas boas e saídas bem sinalizadas.

A melhor forma de explorar é a pé. O centro é compacto, plano o suficiente para passos curtos e pausas longas. Use sapatos de sola aderente, porque a calçada brilha com a humidade do Norte.

Para dormir, há hotéis de charme em casas senhoriais e a Pousada no Mosteiro de Santa Marinha da Costa, onde o granito abraça jardins de buxo perfeito. Reserve com alguma antecedência, sobretudo em fins de semana com eventos locais.

Quando ir e o que apanhar pelo caminho

Primavera traz camélias e céu leve; outono colore as folhas de cobre suave. No verão, as noites são de esplanada e conversa longa, e no inverno a cidade veste uma melancolia bonita que combina com caldo quente.

Se a sorte ajudar, apanhe as Nicolinas no fim do ano, com bombos que ecoam em ritmo antigo, ou as Gualterianas em agosto, quando as ruas ganham outro brilho. Em qualquer mês, há feiras de artesanato, peças de teatro e música que brota de igrejas com acústica doce.

Guimarães prova que o Norte cabe na palma da mão e no compasso do coração. Anda-se sem empurrões, fala-se sem gritar e descobre-se um lugar que sabe equilibrar passado e presente com uma elegância simples. Volte quando quiser, porque aqui o tempo espera por si com um sorriso franco e uma mesa sempre posta.

José Fonseca

José Fonseca

Sou o José, redator do Jornal Inside e apaixonado por tudo o que envolve música, cinema e cultura pop. Gosto de transformar tendências e bastidores em histórias que prendem o leitor. Escrevo para que cada notícia seja uma porta aberta para o universo vibrante do entretenimento.