Nunca faça isso: beber Coca‑Cola durante uma gastroenterite é um erro gravíssimo, diz o Dr. Jimmy Mohamed

José Fonseca

17 de Fevereiro, 2026

Muita gente recorre ao refrigerante para aliviar a gastroenterite, mas especialistas alertam que essa prática é arriscada e pode ser até contraproducente. Segundo o médico Jimmy Mohamed, a ideia de que o refrigerante “acalma o estômago” é um mito amplamente difundido, porém mal embasado cientificamente. Em vez de ajudar na hidratação, a bebida pode piorar a diarreia e acelerar a desidratação. A prioridade deve ser repor água e sais, com escolhas que respeitem o equilíbrio do organismo.

Por que o refrigerante pode piorar o quadro

A composição do refrigerante é pobre em eletrólitos, especialmente sódio e potássio, cruciais para a hidratação adequada. Seu alto teor de açúcar eleva a osmolaridade do conteúdo no intestino, puxando mais água para a luz intestinal e intensificando a diarreia. Além disso, a presença de cafeína tem efeito diurético, aumentando a produção de urina e acelerando a perda de líquidos.

Mesmo “sem gás”, o refrigerante mantém um perfil hiperglicídico e pobre em sais, o que não atende às necessidades da mucosa inflamada. Em quadros de vômitos e diarreia, o corpo perde água e minerais em grande quantidade, e repor apenas açúcar é claramente insuficiente. O resultado é uma sensação breve de alívio, seguida por piora do trânsito intestinal e maior risco de fadiga e tontura.

Principais riscos do consumo de refrigerante nesse contexto:

  • Aumento da desidratação por efeito diurético da cafeína.
  • Diarreia de tipo osmótica, causada pelo excesso de açúcar.
  • Picos de glicose, nocivos para pessoas com diabetes.
  • Irritação gástrica, agravando náuseas e azia.
  • Falsa sensação de hidratação, mascarando sinais de gravidade.

O que beber e comer em vez disso

A estratégia mais eficaz é priorizar a hidratação com soluções que combinem água, açúcar e sal na proporção correta. Uma receita simples caseira mistura 1 litro de água, 6 colheres de chá de açúcar e 1 colher de chá de sal, ajudando a repor eletrólitos e líquidos. Deve-se ingerir em pequenos goles a cada 10 a 15 minutos, respeitando a tolerância do estômago.

Outra opção é a “água do arroz”, rica em amido, que pode ajudar a acalmar o trânsito e reduzir a perda de água nas fezes. Em fases de náusea, alimentos leves e de fácil digestão — como caldos, purê de batata e bananas — costumam ser bem-vindos. Se houver vômitos persistentes, uma pequena fonte de açúcar como uma bala ou um pouco de suco de maçã pode ser melhor tolerada do que bebidas gaseificadas.

“Não se deve beber Coca-Cola; diante de vômitos intensos, vale priorizar uma pequena fonte de açúcar, em quantidades mínimas, repetidas a cada 10–15 minutos”, reforça o médico. O objetivo é manter a hidratação contínua sem sobrecarregar o estômago, permitindo que o corpo se recupere com mais segurança.

Medicamentos citados pelo especialista

Alguns medicamentos podem ser úteis em situações selecionadas, sempre com atenção às indicações e limitações. O Smecta (diosmectita) é um adsorvente à base de argila que protege a mucosa, porém não é indicado para crianças com menos de dois anos. O Imodium (loperamida) reduz a motilidade intestinal e pode causar lentificação excessiva, devendo ser evitado em casos com febre ou sangue nas fezes.

Já o Tiorfan (racecadotril) atua diminuindo a secreção intestinal, favorecendo a reabsorção de água e reduzindo o volume de diarreia. Entre as opções sintomáticas, tende a ser melhor para prevenir a desidratação, sem paralisar o intestino. Ainda assim, toda medicação deve considerar a idade, o histórico clínico e sinais de gravidade.

Sinais de alerta e quando buscar ajuda

Mesmo com cuidados domiciliares, é essencial vigiar sinais de alerta. Procure avaliação médica se houver desidratação marcada (boca seca, pouca urina, tontura), febre alta persistente, sangue nas fezes, dor abdominal intensa ou incapacidade de manter líquidos por mais de 6–8 horas. Em bebês, idosos e pessoas com doenças crônicas, o limiar para buscar ajuda deve ser mais baixo.

Em síntese, a prioridade é hidratar, repor sais e respeitar o ritmo do organismo. O refrigerante, por mais popular que seja, não cumpre esses critérios e pode adiar a recuperação. Com escolhas simples e seguras, é possível atravessar a gastroenterite com menos riscos e voltar à rotina com mais rapidez.

José Fonseca

José Fonseca

Sou o José, redator do Jornal Inside e apaixonado por tudo o que envolve música, cinema e cultura pop. Gosto de transformar tendências e bastidores em histórias que prendem o leitor. Escrevo para que cada notícia seja uma porta aberta para o universo vibrante do entretenimento.