O MEXE apresenta programação e promete desafiar o Porto

 

5º MEXE

São mais de 70 propostas artísticas que abordam “o comum”, tema da quinta edição do MEXE – Encontro Internacional de Arte e Comunidade. De 16 a 22 de Setembro, o encontro vai ocupar 22 salas e espaços públicos do Porto com conferências, espetáculos, paradas, oficinas e criações originais que pretendem despertar o debate em torno da construção de espaços criação, participação e cidadania em tempos de instabilidade política e social. Envolvendo mais de 400 pessoas, 27 grupos oriundos de 6 países, a 5º edição do Mexe reserva um lugar especial para a criação artística Africana, Latino-americana e do Sul da Europa.

A programação estrutura-se em quatro eixos essenciais: Pensamento, Apresentação, Formação e Documentação.

No Teatro Carlos Alberto, estreias nacionais de Istoé um Negro?, da companhia brasileira EQuem Égosta?, uma proposta sobre o que é ser negro e negra no Brasil, que tenta construir estratégias de questionamento sobre a perpetuação do racismo estrutural. Outra proposta brasileira, Quando Quebra Queima é um espetáculo construído por estudantes que viveram o processo de ocupações e manifestações do “movimento secundarista”. Quinze corpos insurgentes deslocam para a cena a experiência que tiveram dentro das escolas ocupadas entre 2015/2016, criando uma narrativa coletiva a partir da perspectiva de quem viveu intensamente o dia-a-dia dentro do movimento. A ColectivA Ocupação realizará ainda uma oficina com jovens da cidade e uma conversa em parceria com a Fundação de Serralves.

Do Uganda chega-nos uma proposta original de António “Bukhar” Ssebuuma e Faizal Mostrixx Ddamba, Empty the Space, que transforma o movimento num diálogo sobre o espaço nos tempos modernos, num jogo constante entre a dança contemporânea e os ritmos mais tradicionais de África. Os artistas orientarão ainda uma oficina dedicada a explorar o diálogo entre as danças tradicionais e urbanas. A programação proveniente no hemisfério sul encerra com Children of The New World, uma performance solo de dança sobre abuso infantil coreografada e interpretada pelo bailarino tanzanês Samwel Japhet.

O programa de espetáculos do MEXE integra ainda Synectikos, a mais recente criação do espanhol Coletivo Lisarco, dedicado à dança, que trabalha nomeadamente com bailarinos com Síndrome de Down. A Orquestra Basket Beat traz ao palco os temas mais clássicos da companhia num encontro entre instrumentos musicais e bolas de basquete e Duck March, um assalto à cidade na forma de uma marcha de mulheres grávidas.

Com intensa vocação para o espaço público esta edição traz-nos ainda as propostas nacionais de Tânia Dinis em colaboração com moradores e ex moradores das Fontaínhas, Flávio Rodrigues num trabalho coral com a participação de alunos do Seminário Maior do Porto, o Coletivo Suspeito com intervenções nas estações de Metro da Trindade e de Comboios de Campanhã, e aos quais se acrescenta o Atelier Ser com uma proposta participativa a ter lugar na Feira do Cerco e Praça dos Poveiros.

No campo do pensamento “o comum” concretiza-se na 3ª edição do Encontro Internacional de Reflexão sobre Práticas Artísticas Comunitárias, uma organização conjunta entre 9 entidades de ensino superior, portuguesas e estrangeiras, que contará com a participação de mais de 100 investigadores.

O MEXE integrará ainda uma mão cheia de oficinas, conversas, apresentações de livros e instalações que envolverão diretamente mais de 300 cidadãos do Porto. Esta edição mantém o acesso gratuito a praticamente toda a programação e interpretação em Língua Gestual Portuguesa, reforçando a preocupação com a democratização e democracia cultural como processos ainda por concluir.

Novidade maior este ano, o Mexe Praça. Um ponto de encontro e discussão aberta que servirá como espaço de contacto com a cidade e o público do encontro. Localizado no Jardim de São Lázaro, será palco de uma programação musical diversa, a produção de uma fanzine diária, conversas e aparições improváveis. Por lá passarão os concertos do Coro da Fundação Manuel António da Mota, dos OUPA CERCO, de Fado Bicha e do Projeto TumTumTum. Será também aqui que se realizará a conversa com o filósofo Vladimir Safatle, centrada numa reflexão em torno dos limites das dicotomias entre humanidade e animalidade, humanidade e inumanidade. O Mexe Praça será ainda o palco para o espetáculo de abertura, ilha-jardim, uma criação original da PELE que ensaia novas formas de habitar o espaço de vizinhança. Um ensaio sobre povoar lugares inexistentes e transformar os lugares de sempre, numa projeção do jardim como uma ilha suspensa do mundo, para o mundo ser mais como devia.

De 13 a 15 de setembro a pré programação do Mexe arranca com um fim de semana dedicado ao cinema documental. Serão sete documentários, na sua maioria em estreia nacional, que revelam processos e práticas artísticas que se cruzam com educação e cidadania. O pré-Mexe incluirá ainda a apresentação de Tu e Eu, e agora?,uma peça do Triumph’arte – Grupo de Teatro Comunitário de Esposende e #nãoénão, uma criação do Núcleo de Teatro do Oprimido do Porto / PELE. As sessões de cinema terão lugar no Cinema Trindade e Associação de Moradores da Lomba, sendo seguidas de uma conversa com os realizadores e envolvidos.

Este ano pela primeira vez, o Mexe lançou uma campanha de crowdfunding que desafia todos os cidadãos a contribuir para a organização do encontro de forma alternativa. A campanha está disponível até 23 de Agosto e destina-se a apoiar a alimentação e alojamento de um grupo de 7 participantes provenientes do Brasil.

A programação completa do evento pode ser consultada em mexe.org.pt