Teatro do Montemuro

Alexandre Pieroni e João Fiadeiro encerram a temporada 2018/2019 do Teatro da Cerca de São Bernardo, em Coimbra, entre 17 e 25 de Julho.

Sem poder deixar de pensar na recuperação da actriz Maria João Robalo, vítima de um grave acidente no passado dia 8, os elementos d’A Escola da Noite decidiram manter a programação prevista para os próximos dias. Fazem-no por respeito aos artistas com os quais a companhia se havia comprometido, por consideração com o público e pelo compromisso com a arte que abraçaram e da qual a Maria João é uma profissional exemplar.
Montar a bancada no Pátio e assumir a programação estabelecida são, neste contexto, gestos de esperança na recuperação da sua querídissima amiga e colega de trabalho e a forma possível de agradecer a força e a solidariedade que tantos espectadores têm transmitido à família e a esta companhia.
Em consequência da queda que sofreu nas instalações do Teatro, Maria João Robalo mantém-se internada na Unidade de Medicina Intensiva dos Hospitais da Universidade de Coimbra, em situação estável mas ainda com prognóstico muito reservado.

Coimbra, Teatro da Cerca de São Bernardo
Programação de 17 a 25 de Julho de 2019

TEATRO AO AR LIVRE
Fanzine – O regresso dos heróis
Teatro do Montemuro
17 de Julho de 2019
quarta-feira, 22h00
Pátio da Inquisição > entrada livre

A mestre do crime, Caos, escapa do mundo da banda desenhada para o século XXI, com a única intenção de fazer estragos. Auxiliada por Pandemónio, ambiciona vergar a civilização, roubando a Internet.
Todos os seus antigos adversários, os Super-Heróis, estão agora aposentados dessa atividade ou desaparecidos. Será que as suas vulnerabilidades – kriptonita, artrite, intolerância ao glúten – que Caos tão bem conhece, os vão impedir de cumprir a sua missão? Ou serão os Super-Heróis capazes de voltar a salvar o mundo?

criação colectiva dramaturgia e encenação Peter Cann cenografia, adereços e figurinos Helen Ainsworth direcção musical Manuel Brásio desenho de luz Paulo Duarte interpretação Abel Duarte, Eduardo Correia, Paulo Duarte, Rebeca Cunha e Sílvia Santos operação técnica Carlos Cal e Manuel Brásio

TEATRO
A Parede
Artes e Engenhos
19 e 20 de Julho de 2019
sexta-feira e sábado, 21h30
M/16 > 70’ > 6 a 10 Euros

Na peça de Elfriede Jelinek A Parede, que toma emprestado o título ao romance distópico de Marlen Haushofer (1963), encontramos Ingeborg (Bachmann) e Sylvia (Plath) em luta para ascender da sujeição a que foram remetidas, num movimento que, ao mesmo tempo, sugere o envolvimento delas na perpetuação dos mecanismos de violência patriarcal de que são vítimas. Uma reflexão em torno da opressão exercida sobre as mulheres na sociedade contemporânea que é, sob distintos ângulos, levada a cabo em todo o conjunto de dramatículos Dramas de Princesas, colocando as duas escritoras num friso onde se juntam a outras princesas reais e ficcionais – Branca de Neve, Bela Adormecida, Jackie Kennedy, Rosamunda do Chipre e Diana de Gales.

texto Elfriede Jelinek concepção e encenação Alexandre Pieroni Calado co-criação e interpretação Paula Garcia filme Leonardo Mouramateus operação de câmara e fotografia Joana Silva Fernandes desenho de som João Ferro Martins interpretação ao piano Filipe Raposo tradução Anabela Mendes apoio vocal Natália de Matos direcção técnica João Chicó

DANÇA
From afar it was an island. De perto, uma pedra
João Fiadeiro
25 de Julho de 2019
Quinta-feira, 21h30
M/6 > 50’ > preço definido pelo espectador
http://www.citemor.com/citemor-2019x/joao-fiadeiro

“De perto, uma pedra” é uma nova abordagem de “From afar it was an island” (2018) que propõe exactamente aquilo que o título sugere: proporcionar ao espectador/visitante que olhe de perto (e por dentro) de um trabalho que foi originalmente desenhado para ser olhado de longe (e por fora).
“From afar it was an island” e “De perto, uma pedra” são coreografados com gestos armazenados pelo cinema, todo “escrito” com essas “palavras”, e com a tensão que é mantida no interior desses fragmentos. Um conjunto de mais de uma centena de filmes dos quais foram extraídas pessoas que se vestem, caminham, param, esperam, conversam… O raccord, próprio da linguagem cinematográfica, será o princípio capaz de articular relações entre esses gestos: alguém enche um copo de água na mesa da sua cozinha CORTA PARA outro alguém que derruba um copo de vodka no balcão de um bar. Na mesa de edição o raccord que uniria esses dois gestos não esconderia o salto espacial e temporal que separa as duas cenas, que podem, inclusive, ser de dois filmes diferentes. No teatro, no entanto, temos a unidade espacial e temporal do palco, e temos o corpo que se apropria e une as duas cenas, sem que possamos notar o instante exacto em que uma cena acaba e outra começa. Os gestos acumulam-se, o futuro não é previsível e o passado não é escrito. Os gestos são contidos no presente da sua própria presença, e no entanto continuam. Em “From afar it was an island” o gesto fixado pelo cinema é possuído pelo fantasma do gesto da dança: o esquecimento.”
(João Fiadeiro e Leonardo Mouramateus)

conceito João Fiadeiro co-direcção João Fiadeiro, Leonardo Mouramateus, Carolina Campos performance e co-criação Carolina Campos, Adaline Anobile, Márcia Lança ou Nuno Lucas, Iván Haidar e Julián Pacomio captação sonora em tempo real João Bento luz Leticia Skrycky espaço João Fiadeiro e equipa a partir do espaço cénico de “From afar it was an island” de Nadia Lauro (cenografia), Gabriela Forman (figurinos) e Bruno Bogarim (objectos)

informações e reservas:
239 718 238 / 966 302 488 / geral@aescoladanoite.pt