Um especialista em fiscalidade avisa que o imposto único de circulação vai mudar para milhares de condutores

José Fonseca

8 de Outubro, 2026

A expectativa de mudanças no Imposto Único de Circulação ganhou corpo nas últimas semanas, e um fiscalista ouvido pelo nosso jornal deixou um aviso claro: “as regras vão apertar para muitos automobilistas”. O tema mexe com o orçamento das famílias, impacta a revenda de usados e cruza-se com a política climática. Convém, por isso, perceber o que pode mudar, quem será mais afetado e como se preparar.

O que o Governo quer alinhar com a política climática

A discussão envolve a atualização dos escalões por emissões, a revisão de exceções históricas e a correção de distorções nos carros importados. O objetivo declarado é “aproximar o IUC do custo ambiental real”, explica o especialista, sublinhando que a pressão europeia para reduzir CO2 está a tornar-se “muito mais concreta”.

Entre as hipóteses em análise, destaca-se a inclusão de mais peso para as emissões em toda a frota posterior a 2007, a revisão de veículos mais antigos que pagam pouco face ao seu impacto, e um aperto das diferenças entre carros iguais com matrícula nacional e importados usados. “É previsível um modelo mais uniforme e menos amigo de exceções”, nota o fiscalista.

Quem pode pagar mais e quem pode pagar menos

Se o foco recair no CO2, os carros a gasóleo e gasolina com emissões elevadas tendem a ver a fatura subir. Modelos de maior cilindrada, classes elevadas de peso e padrões Euro mais antigos podem ser os mais penalizados. Por outro lado, veículos elétricos e híbridos plug-in com baixas emissões podem manter benefícios ou até ver alívios pontuais, ainda que “o tempo dos descontos muito generosos esteja a acabar”, alerta o especialista.

Nos veículos importados, a proposta de nivelar o tratamento poderá reduzir vantagens artificiais. “Se um carro é idêntico em emissões, o imposto deve ser idêntico”, resume. A palavra de ordem é coerência: menos arbitragens, mais previsibilidade.

Calendário provável e transições graduais

Mudanças fiscais com este alcance raramente entram em vigor de forma brusca. O mais provável é um modelo com faseamento, tetos anuais de aumento e um período de adaptação. “Ninguém quer um choque súbito na carteira dos condutores”, refere o fiscalista, lembrando que uma transição gradual ajuda o mercado de usados a absorver o novo preço do imposto.

Os prazos costumam alinhar-se com o ciclo do Orçamento e a entrada em vigor no início do ano fiscal. A recomendação é simples: “não espere pela última hora para fazer contas”.

Como se preparar sem dramatismos

Decisões precipitadas podem custar caro. Antes de vender um carro ou avançar para uma troca, simule diferentes cenários e avalie custos totais de propriedade: combustível, manutenção, seguro e, claro, o próprio IUC. Em muitos casos, a troca por um modelo mais eficiente amortiza o imposto com poupanças no combustível.

  • Verifique o padrão Euro e as emissões de CO2 do seu veículo.
  • Simule o IUC em versões com motores mais eficientes.
  • Compare custos totais em 3 a 5 anos (incluindo depreciação).
  • Considere opções de renting ou carsharing se o uso for baixo.
  • Atualize registos e documentação para evitar coimas.

Impactos nas empresas e nas frotas

Para frotas corporativas, pequenas mudanças tornam-se multiplicadas por dezenas ou centenas de viaturas. A rotação de frota para segmentos com melhor eficiência, a adoção de políticas de eco‑condução e a renegociação com locadoras podem mitigar o impacto. “Há ganhos em alinhar incentivos internos com métricas de emissões”, afirma o especialista, destacando que relatórios de sustentabilidade já olham para estes indicadores.

Frotas mistas com híbridos, elétricos e térmicos otimizam custo e flexibilidade, respeitando perfis de utilização. Entregas urbanas com elétricos, percursos longos com Diesel de baixa cilindrada e reuniões com híbridos plug-in bem geridos podem reduzir a fatura sem sacrificar a operacionalidade.

Evitar ruído e focar no essencial

Há muito ruído quando se fala de impostos. O que interessa é identificar o que afeta o seu caso concreto. “Nem todos vão pagar mais e nem todos vão pagar menos”, sintetiza o fiscalista. O perfil de utilização, as emissões reais e o horizonte de detenção do veículo são os três fatores que mais pesam.

Se está a pensar comprar, olhe para o consumo homologado e, sobretudo, para o consumo em uso real. Se já tem viatura, avalie a sua idade, o padrão Euro e o mercado de revenda. Um ligeiro aumento no IUC pode ser compensado por menor desvalorização se o modelo for bem cotado.

O que esperar nas próximas semanas

O debate seguirá entre Ministério, associações do setor e partidos, com dados de impacto a serem afinados. O desenho final dependerá do equilíbrio entre receita, justiça fiscal e metas de descarbonização. “A direção é clara: mais coerência entre o que se emite e o que se paga”, conclui o especialista, lembrando que planeamento e informação continuam a ser as melhores ferramentas para qualquer condutor.

José Fonseca

José Fonseca

Sou o José, redator do Jornal Inside e apaixonado por tudo o que envolve música, cinema e cultura pop. Gosto de transformar tendências e bastidores em histórias que prendem o leitor. Escrevo para que cada notícia seja uma porta aberta para o universo vibrante do entretenimento.