Um especialista em seguros avisa que os seguros automóvel vão mudar já no próximo ano

José Fonseca

12 de Setembro, 2026

Os condutores vão sentir uma viragem clara nas apólices já no próximo calendário de renovações. A pressão dos custos, o salto tecnológico nos veículos e as novas métricas de risco vão mexer com preços, franquias e serviços. “A mudança será rápida e mais visível do que em anos anteriores”, alerta um especialista do setor.

Para muitos, o seguro deixará de ser um produto estático e passará a ser um serviço mais flexível, com ajustes quase em tempo real. A lógica é simples: mais dados, mais diferenciação e respostas mais finas ao comportamento ao volante.

Preços mais segmentados e coberturas reconfiguradas

A escalada dos custos de reparação, sobretudo por causa dos sensores e dos sistemas ADAS, empurra prémios para cima em várias categorias. “O mesmo choque a baixa velocidade custa hoje mais, porque há câmaras e radares a substituir”, refere o mesmo especialista.

Veremos mais níveis de franquias adaptativas e pacotes de coberturas “modulares” que combinam assistência, carro de substituição e proteção de bateria nos elétricos. A tendência é premiar perfis de risco consistentes e penalizar trajetos, horários e zonas de sinistralidade elevada.

Telemática, dados e a linha ténue da privacidade

O modelo “pay-how-you-drive” ganha tração, com apps e dispositivos a ler travagens, acelerações e padrões de rotas. Quem conduz de forma estável e em horários menos críticos pode pagar menos. “Não é só quilometragem, é qualidade de condução”, sublinha uma fonte atuarial.

Ao mesmo tempo, cresce a exigência de transparência e consentimento claro sob o regime de proteção de dados. As seguradoras que explicarem bem o que recolhem, para que usam e por quanto tempo, ganham vantagem de confiança. Sem isso, a adoção fica travada.

Elétricos, software e o novo custo da oficina

Nos elétricos, o preço do sinistro está ligado ao diagnóstico de bateria, calibração de sensores e tempos de oficina mais longos. Algumas marcas exigem peças e procedimentos certificados, o que inflaciona a fatura. Resultado: prémios com estruturas próprias e redes de reparação mais fechadas.

Ao mesmo tempo, a cibersegurança entra no mapa. Riscos de intrusão de software ou falhas de atualização OTA podem dar origem a coberturas novas de responsabilidade e assistência digital. “O carro é um computador com rodas; o seguro tem de o acompanhar”, resume o perito consultado.

Clima extremo e franquias dinâmicas

Fenómenos de chuva intensa, granizo e cheias estão a aumentar a sinistralidade em certos distritos. Espera-se uma cartografia de risco mais granulada, com franquias variáveis por zona e época do ano. Em áreas críticas, a proteção contra eventos climáticos pode ter preço mais alto, mas com resposta mais rápida em caso de catástrofe.

Para reduzir volatilidade, algumas apólices integrarão limites de cobertura por evento e mecanismos de co-seguro. A lógica é dar previsibilidade ao cliente e sustentabilidade ao produto, evitando picos de custo impossíveis de absorver.

Subscrições flexíveis e microcoberturas

O mercado caminha para modelos de assinatura mensal, pausa por ausência de uso e aditivos temporários para viagens ou condutores secundários. Jovens e utilizadores de carsharing podem ativar microcoberturas por dia ou por trajeto, sem perder o histórico de bónus.

Outro vetor é o seguro “por quilómetro”, útil para quem faz poucos percursos. “O preço deixa de ser apenas sobre quem você é e passa a refletir o que você realmente faz”, diz um gestor de produto.

Regulação e transparência reforçada

A supervisão vai apertar requisitos de clareza contratual, destacando exclusões, limites e tempos de resposta. Em Portugal, a ASF continuará a vigiar práticas comerciais e a qualidade do atendimento após sinistro. Esperam-se guias de linguagem mais simples e relatórios de desempenho por tipo de cobertura.

Este contexto impulsiona comparadores mais robustos e scoring de satisfação pós-sinistro, pressionando melhorias em serviço e prazos de indemnização.

Como se preparar sem pagar mais do que o necessário

  • Revise o seu perfil de uso: quilómetros, horários, locais de estacionamento e condutores habituais. Negocie franquias e coberturas de acordo com o risco real, não o teórico.

Considere partilhar dados de condução se tiver perfil prudente e quilometragem baixa. Em muitos casos, a poupança compensa a exposição controlada de informação.

Recolha cotações de três ou quatro seguradoras, mas compare também prazos de reparação, rede de oficinas e qualidade da assistência. O mais barato pode sair caro no primeiro sinistro.

Se tem veículo elétrico, confirme cobertura para bateria, cabos e danos em wallbox. Verifique políticas de calibração de ADAS e escolha redes com certificação de marca.

Atualize fotos, histórico de manutenção e acessórios instalados. Documentação organizada acelera peritagens e evita litígios de avaliação.

“Quem se antecipar vai pagar menos e ter respostas mais rápidas”, conclui o especialista. O seguro deixa de ser apenas um “papel na luva” e passa a ser um ecossistema vivo, ajustado ao uso, à tecnologia e ao clima. Para o condutor, a chave é simples: conhecer o próprio perfil, exigir transparência e escolher parceiros que evoluem ao mesmo ritmo da estrada.

José Fonseca

José Fonseca

Sou o José, redator do Jornal Inside e apaixonado por tudo o que envolve música, cinema e cultura pop. Gosto de transformar tendências e bastidores em histórias que prendem o leitor. Escrevo para que cada notícia seja uma porta aberta para o universo vibrante do entretenimento.