Despedida comovente: dois pandas regressam à China para sempre por problemas de saúde

José Fonseca

6 de Março, 2026

Decisão motivada pela saúde de Huan Huan

Os dois pandas gigantes do ZooParc de Beauval, Huan Huan e Yuan Zi, vão voltar à China após mais de uma década em solo francês, motivados por questões de saúde. A fêmea sofre de insuficiência renal, uma condição crónica comum em carnívoros envelhecidos, o que levou a uma decisão tomada “em concertação com as autoridades chinesas”. Apesar do diagnóstico, a panda mantém “um bom apetite” e um comportamento estável, reforçando que a transferência é uma medida de precaução.

Chegados à França em 2012, os dois animais tornaram-se ícones da instituição no Loir-et-Cher, contribuindo para a sensibilização do grande público sobre a conservação de espécies ameaçadas. Com 17 anos de idade, estão a meio do que pode ser uma vida de cerca de 35 anos para a espécie, sobretudo sob cuidados humanos especializados.

Retorno ao coração da conservação

O regresso acontecerá para o Centro de Conservação de Chengdu, referência mundial em reprodução e investigação de pandas gigantes. Integrados de novo nesse programa internacional, Huan Huan e Yuan Zi terão acesso a equipas clínicas e instalações pensadas para a sua longevidade. Essa escolha alinha-se com a “diplomacia do panda”, um gesto que simboliza cooperação científica e laços entre a China e a França.

“Preferimos transportá-la para a China antes que os problemas se agravem”, destacou o diretor do parque, sublinhando a prioridade dada ao bem-estar e à prevenção.

O papel das gémeas em Beauval

As gémeas nascidas em 2021, Huanlili e Yuandudu, manter-se-ão em Beauval, contrariando o plano inicial de partida neste ano. Aos 4 anos, elas continuam a ser embaixadoras da espécie, ajudando a explicar desafios de conservação e a importância de hábitats protegidos. A presença das jovens fêmeas compensa o vazio emocional deixado pela saída dos progenitores, mantendo viva a ligação com o público.

O primeiro filhote do casal nascido em França, Yuan Meng, veio ao mundo em 2017 e regressou à China em 2024, marcando um capítulo de sucesso reprodutivo raro no território francês.

Impacto para o parque e para o público

O ZooParc de Beauval, que acolheu cerca de 2 milhões de visitantes em 2023, viu nos pandas um poderoso motor de atração e de educação. Com 35 mil animais sob cuidado, o parque combina entretenimento e ciência, investindo receitas substanciais — 113 milhões de euros no último ano — em bem-estar animal, investigação e infraestruturas.

A saída do casal não apaga o legado pedagógico deixado, nem quebra o elo com a causa da biodiversidade. Pelo contrário, o parque reforça a mensagem de que a saúde e a qualidade de vida dos animais estão acima de qualquer calendário.

Calendário, logística e segurança

A transferência está prevista para “por volta de 25 de novembro de 2025”, numa operação meticulosamente planeada. Especialistas franceses e chineses acompanham o processo, assegurando monitorização contínua e redução do stress. Para além do treino com caixas de transporte, a gestão da hidratação e da dieta será ajustada, de forma a proteger a função renal da fêmea.

  • Treino gradual com a caixa de transporte para reduzir o stress.
  • Controlo clínico com exames de imagem e análises sanguíneas.
  • Dieta ajustada de bambu e líquidos para apoio renal.
  • Planeamento de rotas e paragens com equipas veterinárias.
  • Coordenação entre autoridades francesas e chinesas para procedimentos aduaneiros.

Parceria e horizontes futuros

O acordo que mantinha a dupla em Beauval até 2027 poderá ser reconfigurado, segundo o parque, que deseja “prolongar o parceiro e, quem sabe, acolher outros pandas no futuro”. A possível chegada de novos hóspedes reforçaria a missão de educar e inspirar — uma missão que vai além de números e estatísticas, alcançando o envolvimento afetivo do público.

Desde 2012, a cooperação franco-chinesa gerou resultados notáveis: três nascimentos bem-sucedidos, apoio a projetos de campo e avanços na ciência da reprodução. Com a saída de Huan Huan e Yuan Zi, a ponte de conhecimento permanece, tal como o compromisso com a transparência e a partilha de dados.

Legado que permanece

Os pandas mudaram a história recente de Beauval, elevando o nível de exigência em torno do cuidado de espécies ameaçadas. O retorno à China não é um adeus definitivo, mas a continuidade de uma jornada de cuidado que pede contexto, paciência e visão de longo prazo. Enquanto as gémeas continuam a atrair olhares, a mensagem central segue intacta: salvar espécies depende de ciência, cooperação e decisões centradas no animal.

No fim, prevalece o sentido de responsabilidade: fazer o que é melhor para a saúde de Huan Huan e para o futuro da espécie. E, para quem visita Beauval, fica a certeza de que a emoção do encontro com os pandas se transforma agora em compromisso com a conservação.

José Fonseca

José Fonseca

Sou o José, redator do Jornal Inside e apaixonado por tudo o que envolve música, cinema e cultura pop. Gosto de transformar tendências e bastidores em histórias que prendem o leitor. Escrevo para que cada notícia seja uma porta aberta para o universo vibrante do entretenimento.