DULCE PONTES

O CORAÇÃO TEM TRÊS PORTAS

A fechar o ano, a última crítica musical a um disco recente “da voz”. Dulce Pontes no seu melhor.

O coração tem três portas, produzido pela Ondeia música, a nova editora da própria Dulce é uma espécie de retorno às origens em “Lágrimas” quando Dulce se assumia a “filha de Amália e Zeca Afonso”.

De facto o registo principal deste disco (ao vivo), passa essencialmente por um aproveitamento de temas populares, revisitações, folclore, música medieval e temas de Zeca Afonso, havendo pouco originais.

Neles, o destaque vai claramente para uma das melhores vozes portuguesas e reconhecidas internacionalmente. Dulce movimenta-se como o vento na seara, ondulando por entre as melodias com uma mestria inesquecível.

O meu destaque subjectivo, vai para a versão de “o Resineiro” com um fabuloso arranjo que contempla violoncelo a todo o vapor e o público a aderir em massa com as palmas. A interpretação de Dulce, no sotaque e na dinâmica é absolutamente deliciosa e teatral. Uma fantástica maneira de se despedir do ano que finda.

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Autor: Tiago Videira