Frio extremo: a arma mais poderosa para erradicar de vez a vespa asiática?

José Fonseca

22 de Fevereiro, 2026

A descida brusca das temperaturas pode parecer uma aliada natural no combate à vespa-asiática, mas a realidade é mais complexa. O frio intenso afeta o ciclo de vida desses insetos, porém não garante a sua eliminação. Em muitos casos, o inverno apenas retarda a atividade e reduz parcialmente as populações. Assim, quem tem jardim ou colmeias continuará a ouvir falar do problema quando o tempo voltar a aquecer.

O papel do frio no ciclo anual

Durante o inverno, os machos morrem e as rainhas procuram locais abrigados para hibernar. Essa pausa fisiológica permite que, na primavera, elas retomem a postura e fundem novos ninhos. Estudos de campo indicam que a hibernação só se consolida quando as mínimas descem de forma consistente para valores próximos ou inferiores a seis graus. Mesmo com neve ou vento, o mecanismo básico do ciclo permanece estável.

Quando ocorrem vagas de frio súbitas, algumas rainhas podem ser apanhadas fora dos abrigos e não sobreviver. No entanto, basta uma fração dessas fêmeas fundadoras resistir para repovoar vastas áreas. Além disso, ninhos antigos pouco importam, pois as rainhas fecundadas hibernam fora deles e iniciam colônias totalmente novas. Por isso, um inverno rigoroso raramente zera a presença da espécie na primavera.

Aquecimento global e invernos irregulares

O aquecimento global embaralha os sinais ambientais que regulam a hibernação. Invernos mais amenos ou alternâncias bruscas entre calor e frio criam um cenário de maior incerteza. Se as temperaturas se mantêm altas, algumas rainhas podem não hibernar e continuar a ovoposição. Paradoxalmente, isso pode levá-las ao esgotamento e à morte antes da primavera.

Por outro lado, invernos curtos e suaves tendem a favorecer a sobrevivência de mais fundadoras. Com mais rainhas ativas no início da estação, o número de ninhos primários pode aumentar. Em consequência, apicultores e jardineiros observam pressão maior sobre colmeias e frutas ao longo do verão. O clima, portanto, tanto pode limitar quanto amplificar a expansão da espécie.

“O frio extremo reduz a atividade, mas não é uma solução milagrosa; a gestão coordenada e a vigilância local continuam a ser as melhores ferramentas.”

O que esperar quando os dias aquecerem

Mesmo após um período de grande frio, as rainhas sobreviventes emergem com as primeiras amenidades. Elas constroem pequenos ninhos primários em beirais, arbustos densos ou anexos pouco usados. Se não forem identificados, esses ninhos mudam para locais mais altos e robustos durante o avanço da estação. Aí, a colónia cresce rapidamente e a predação sobre abelhas torna-se mais intensa.

A melhor janela para reduzir o impacto é o início da primavera, quando os ninhos ainda são pequenos. Nessa fase, intervenções pontuais por profissionais credenciados têm maior eficácia. A atuação deve respeitar normas locais de segurança e proteção de espécies nativas. A prevenção, aliás, é mais barata e menos arriscada do que remoções tardias em altura.

Boas práticas para jardins e colmeias

  • Priorize a identificação precoce de ninhos primários por meio de rondas visuais.
  • Registe avistamentos em plataformas municipais ou redes de vigilância participativa.
  • Proteja colmeias com barreiras e redutores de entrada devidamente dimensionados.
  • Evite iscos genéricos que capturam insetos nativos de forma indiscriminada.
  • Chame profissionais para remoção de ninhos e siga a legislação de segurança.

Então, o frio é “boa notícia”?

O frio é parcialmente benéfico porque diminui a atividade e reduz a taxa de sobrevivência. Porém, não representa um “reset” ecológico capaz de erradicar a vespa-asiática de forma duradoura. A biologia da espécie está ajustada para suportar oscilações sazonais, preservando rainhas fundadoras em microabrigos seguros. Assim, cada primavera recomeça com um contingente suficiente para retomar a expansão.

O fator decisivo passa a ser a combinação entre clima, disponibilidade alimentar e resposta humana. Onde há vigilância comunitária, remoções precoces e proteção apícola, o impacto cai de forma notável. Em contrapartida, invernos irregulares e verões longos podem favorecer o sucesso reprodutivo. A mensagem central é clara: o frio ajuda, mas o controle depende de uma estratégia integrada.

José Fonseca

José Fonseca

Sou o José, redator do Jornal Inside e apaixonado por tudo o que envolve música, cinema e cultura pop. Gosto de transformar tendências e bastidores em histórias que prendem o leitor. Escrevo para que cada notícia seja uma porta aberta para o universo vibrante do entretenimento.