MÚSICA NA CULTURGEST DE FEVEREIRO A JUNHO DE 2020

Entre fevereiro e junho deste ano, são sete os concertos apresentados pela Culturgest, uma temporada de música marcada pelo cruzamento com as áreas de programação da dança, das artes visuais e do cinema.

Neste sentido, para além do já anunciado concerto de apresentação do novo álbum de Maria Reis, a 12 de fevereiro, sobem ao palco do Grande Auditório da Culturgest: Drumming GP, Joana Gama, Luís Fernandes & Pedro Maia (27 de março), Sound of Desires, de Maiko Jinushi com Adriana Sá (2 de abril), Gavin Bryars (22 de abril), The Secret Museum of Mankind – João Nicolau, Mariana Ricardo, João Lobo, Luís José Martins, Crista Alfaiate & Rita Sá (15 de maio), Ricardo Toscano (30 de maio) e A Winged Victory for the Sullen (5 de junho).

Maria Reis – Chove na Sala, Água nos Olhos
12 fevereiro, 21:00, 12€ (com descontos)
Conhecida a data do concerto de lançamento do aclamado primeiro disco a solo de Maria Reis, Chove na Sala, Água nos Olhos, presente em diversas listas dos melhores de 2019, anuncia-se agora o ensemble acústico de cordas e bateria que estará em palco a enriquecer os já ricos temas de Maria Reis, que comanda esta atuação com voz e guitarra. Os sete músicos escolhidos para esta folia pop são: Simão Simões (baixo elétrico), João Portalegre (bateria), António Quintino (contrabaixo), Ana Elisa Ramos e Gergana Ribeiro (violinos), Sofia Gomes (viola de arco) e Luís Azevedo (violoncelo).

Drumming GP, Joana Gama, Luís Fernandes & Pedro Maia – Textures & Lines
27 março, 21:00, 14€ (com descontos)
Em 2014, a pianista Joana Gama e o músico eletrónico Luís Fernandes juntaram-se em Quest para uma parceria. Além de formarem uma coesa dupla, os dois músicos estabeleceram uma plataforma de colaborações que procurou o diálogo com outros músicos, formações e doutrinas: Harmonies recebeu Ricardo Jacinto e At the Still Point of the Turning World acolheu a orquestração de José Alberto Gomes, a interpretação da Orquestra de Guimarães e a produção expandida de Lawrence English.
Textures & Lines é o novo capítulo da dupla, instigado pelo Drumming – Grupo de Percussão (Miguel Bernat, João Tiago Dias, João Miguel Braga Simões) a embarcar numa série de experimentações coletivas, interligando som acústico e som amplificado, entre elementos produzidos pelos instrumentos e mimetizados pela eletrónica e vice-versa. A ilustrar a música deste quinteto, com vídeos manipulados ao vivo, estará Pedro Maia.

Maiko Jinushi com Adriana Sá – Sound of Desires
2 abril, 21:00, 7€ (preço único)
A performance Sound of Desires foi criada em 2017 para a bienal Live de Vancouver e resultou numa instalação vídeo que regista o encontro entre Maiko Jinushi e um músico.
Em Lisboa, em parceria com o IndieLisboa – Festival Internacional de Cinema Independente, será recriada uma versão híbrida entre o espetáculo e o documentário ao vivo desta obra, aqui, com a participação de Adriana Sá – música, compositora e artista transdisciplinar que também investiga a prática criativa através das ciências da perceção. Maiko Jinushi vai mergulhar no trabalho artístico e nas reflexões pessoais de Adriana Sá para elaborar a dramaturgia da conversa que permanecerá desconhecida da artista portuguesa até ao momento desta performance.
Maiko Jinushi vai mostrar-nos como uma simples conversa pode mudar a música de um improvisador, como uma interpretação pode ir mudando à medida que falam intimamente de desejos, transformando as suas câmaras em poderosos microscópios emocionais que capturam a genética da produção artística.

Gavin Bryars – A Man in a Room, Gambling, com quarteto Lopes-Graça
22 abril, 21:00, 15€ (com descontos)
A Culturgest apresenta, em abril, uma das raras interpretações integrais ao vivo de A Man in a Room, Gambling, de Gavin Bryars, que resultou de uma colaboração entre este compositor e contrabaixista e o artista visual Juan Munõz. Neste concerto, Bryers estará acompanhado em palco pelo Quarteto Lopes-Graça (Luís Pacheco Cunha – violino, Maria José Laginha – violino, Isabel Pimentel – viola e Catherine Strynckx – violoncelo).
No início da década de 1990, Gavin Bryars foi desafiado pelo artista visual Juan Muñoz a colaborar numa série de peças para rádio. A ideia de criar uma obra com um escultor para um meio sonoro espoletou estimulantes conversas sobre a invisibilidade do projeto e as potencialidades da imaginação dos ouvintes perante algo imaterial ligado à descrição de ações. Foram criadas dez peças de cinco minutos cada, em que descrevem manipulações de cartas de jogo, com Juan Muñoz a narrar excertos do livro The Expert at the Card Table – uma espécie de guia essencial para ilusionistas e vigaristas –, enquanto Gavin Bryars interpreta uma sinuosa banda sonora que abraça sensualmente as palavras, os silêncios e as instruções técnicas da voz do artista espanhol, criando, na sua descrição, um “espaço imaginário”.
A Man in a Room, Gambling acabaria por sair da rádio para se tornar numa edição discográfica em 1997 apresentada num pequeníssimo número de concertos. A Culturgest entra nesta lista limitada de concertos, na mesma altura em que a peça sonora habita as galerias em A Exposição Invisível, uma exposição coletiva dedicada ao som, com curadoria de Delfim Sardo, que pode ser visitada de 4 de abril a 19 de julho.

The Secret Museum of Mankind – João Nicolau, Mariana Ricardo, João Lobo, Luís José Martins, Crista Alfaiate & Rita Sá
15 maio, 21:00, 14€ (com descontos)
Durante a última década, o projeto The Secret Museum of Mankind, de João Nicolau e Mariana Ricardo – em que a música ao vivo é intercalada pela audição de discos e ilustrada por imagens – foi aparecendo e desaparecendo do meio musical, como se seguisse à risca o mistério que rodeia o livro de onde vem o nome e a inspiração. Editado em 1935 em Nova Iorque, sem autor, créditos ou data, o livro The Secret Museum of Mankind compila em cinco volumes – cada um dedicado a um continente – 564 páginas com 994 fotografias de povos e culturas que ilustram a diversidade da nossa espécie. Desta enciclopédia nasceu uma editora discográfica 60 anos depois, herdando o nome e o seu espírito missionário; e das suas compilações surgiu a inspiração para João Nicolau trazer algumas das preciosidades da sua coleção de discos para o palco, partilhando-as num diálogo livre com imagens fixas e em movimento.
Para esta maior e mais ambiciosa apresentação, The Secret Museum of Mankind – com João Nicolau na voz, ukulele, cuatro e percussão e Mariana Ricardo, na voz, cuatro, cavaco, guitarra e percussão – faz-se acompanhar, em palco, por João Lobo, na voz, bateria e percussão, Luís José Martins, na voz, guitarra, machete e percussão, Crista Alfaiate, na voz e percussão, tudo acompanhado pelas imagens vídeo de Rita Sá, numa viagem que nos leva do Uganda à Nova Caledónia, de Pernambuco às Montanhas Apalaches.

Ricardo Toscano – A Love Supreme
30 maio, 21:00, 14€ (com descontos)
No dia 30 de maio, poucos dias após a apresentação do espetáculo de dança A Love Supreme, de Anne Teresa de Keersmaeker e Salva Sanchis (22 e 23 de maio), no palco do Grande Auditório, a Culturgest volta a celebrar a obra-prima de 1965 de John Coltrane, desta vez, em formato concerto.
O convite foi feito a Ricardo Toscano para apresentar A Love Supreme, uma obra que o seu quarteto conhece bem, na teoria e na prática. Em palco, ao quarteto formado por Ricardo Toscano (saxofone), João Pedro Coelho (piano), Romeu Tristão (contrabaixo) e João Lopes Pereira (bateria), juntam-se Francisco Andrade (saxofone), João Almeida (trompete) e Luís Candeias (bateria). Novas ideias e explorações musicais, que nos aproximam novamente de uma das peças fundamentais do jazz, da música e da arte do século XX, num concerto realizado em parceria com a Antena 2.

A Winged Victory for the Sullen – The Undivided Five
5 junho, 21:00, 18€ (com descontos)
Cinco anos depois de Atomos e três depois de Iris, compostos para uma coreografia de Wayne McGregor e um filme de Jalil Lespert, respetivamente, Dustin O’Halloran e Adam Wiltzie regressam aos álbuns de estúdio, o primeiro desde a estreia em 2011. Sem corpos, movimentos e imagens que precisem de música, e afastados de bandas sonoras para cinema, televisão e palco, os norte-americanos deixaram-se guiar pelo instinto e pela procura da energia primordial do seu projeto. Contudo, The Undivided Five é também uma soma dos eventos, locais e pessoas que se atravessaram no caminho da sua música. A morte de Johánn Johánnsson, com quem colaboraram pouco antes, terá sido uma das mais importantes influências, pela ligação que mantiveram e pela contribuição involuntária em como este álbum acabaria por soar, inspirando-os a novos arranjos para cordas, eletrónica e piano. Um novo som, feito de memórias afetivas, conquistado por etapas entre Bruxelas, Berlim, Budapeste, Údine e Reiquiavique, The Undivided Five pode ser visto como o mais ambicioso e emotivo trabalho dos A Winged Victory for the Sullen.

Os bilhetes para todos estes concertos estão já à venda na Culturgest e na rede Ticketline.

 

Deixe uma resposta

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios marcados com *