O Festim do Texto Teatral – edição 2020

De Joana Bértholo a Beckett, o objetivo continua a ser entregar as palavras ao público e fazer dele encenador. Com cerca de 20 atores e cinco textos, o projeto Esta noite grita-se avança em 2020 para a 4ª edição.
Em 2020, o projeto da Companhia Cepa Torta com a direção artística de Miguel Maia e Filipe Abreu volta a apresentar-se em diversos espaços de Lisboa, e visita também Montemor-o-Novo, Mértola e o Fundão. Até maio, serão apresentados cinco textos. A programação completa será divulgada a 7 de janeiro.

programação de 2020 promete ser variada e prova disso são os textos confirmados para os meses de janeiro e abril.

O primeiro será um texto da escritora e dramaturga portuguesa Joana Bértholo, Corpo/Arena • 17, 18, 19 e 25 janeiro • apresentações confirmadas na Fábrica Braço de Prato (18) e Biblioteca de Marvila (19)

Texto desenvolvido no âmbito da bolsa da DGLAB para dramaturgia, é o mais recente texto de Joana Bértholo. Esta peça fala-nos da relação que temos com os nossos corpos, através de inspirações estéticas que se dividem entre o absurdo de Samuel Beckett e a violência de Sarah Kane. Nas palavras da autora: «Esta peça conta a história de alguns corpos específicos na sua relação com um corpo contemporâneo (lutas de género, normalização, a sujeição à sociedade de consumo). Também aparece um corpo intemporal: ideais de beleza, pureza, ascetismo, pecado, fome, desejo, sexo e morte.».

Para abril, a escolha não é menos interessante. Trata-se de uma peça radiofónica de Samuel Beckett, raramente apresentada, intitulada Todos os que Caem • 17, 18 e 19 abril • apresentações no Teatro da Malaposta, no Teatro da Trindade e IFICT, respetivamente

Esta peça foi encomendada pela BBC e estreada em 1957. Beckett, no seu estilo caracteristicamente absurdo e trágico-cómico, apresenta-nos a história de uma velha senhora que vai buscar o seu marido cego à estação de comboios. Pelo caminho vai-se cruzando com uma data de personagens e várias situações que nos fazem refletir sobre a existência humana.
As reservas são efetuadas nas bilheteiras de cada espaço de apresentação. Preço dos bilhetes: 4€.

Estas leituras não obedecem ao cânone. Aqui, há um ator que lê as didascálias, os textos são lidos quase sempre na íntegra e todo o processo de ensaios leva a momentos dotados de um fulgor e exuberância invulgares, apesar do despojamento do dispositivo cénico e da relação íntima e informal estabelecida com o público.
Este conceito é único: não existem celebrações desta dimensão e periodicidade no país, em que os textos são analisados e interpretados na leitura, deslocando-se a espaços de natureza diversa que acolhem esta programação numa janela temporal tão alargada, permitindo o usufruto por um leque de público muito abrangente e socialmente diverso.
A primazia é dada ao texto, às palavras do autor, interpretadas por atores e oferecidas à imaginação dos públicos. A encenação é do público. É nessa transposição, do texto para os ouvidos da audiência, que está a missão principal do Festim. O projeto promove a acessibilidade social/intelectual ao divulgar a públicos não habituais, em espaços de inscrição social diversa, permitindo a sedução pela beleza da récita interpretada por atores de reconhecido mérito.

Espaços & Apoios

A 4ª temporada, decorrerá em diversos espaços de Lisboa, visitando também Montemor-o-Novo, Mértola e Fundão. Os 5 textos serão apresentados em espaços como o Teatro da Trindade, A Fábrica do Braço de Prata, o Palácio das Galveias, o IFICT, a Biblioteca de Marvila, Teatro da Malaposta, entre outros. A iniciativa conta com o apoio da Câmara Municipal de Lisboa, a Biblioteca de Marvila e a Junta de Freguesia de Marvila, entre muitos outros parceiros.

Desde 2017, já se contam:
• 16 textos lidos
• 48 apresentações em Lisboa, Cascais e Montemor-o-Novo
• 60 atores
• 2000 espectadores

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