ELECTROBLUES

“In Our Gun”, dos Gomez

Um recomendável álbum de uma das mais promissoras bandas britânicas da actualidade, “In Our Gun” intensifica a carga electrónica de um projecto caracterizado por ambientes entre o blues, o rock e a folk.

Uma das boas bandas britânicas formadas no final da década de 90, os Gomez recolheram fortes elogios logo no registo de estreia, “Bring it On”, de 1998, álbum que lhes concedeu a atribuição do reputado Mercury Prize.

Um ano depois, “Liquid Skin” seguiu as pistas lançadas pelo primeiro disco, mas em 2002 o quinteto apresentou “In Our Gun”, que ampliou um pouco as já diversificadas sonoridades praticadas pelo grupo.

Congregando indie rock, folk, britpop e blues, o terceiro álbum dos Gomez inclui ainda elementos electrónicos, que já complementavam ocasionalmente as canções de registos anteriores mas que obtêm aqui uma predominância mais acentuada.

Trazendo maior modernidade às atmosferas blues/ folk que a caracterizavam, a banda insere subtis contrastes rítmicos que por vezes se aproximam do hipnotismo do trip-hop ou da envolvência do dub, gerando um conjunto de temas que conseguem ser experimentais mas evitam o hermetismo (aliás, grande parte das canções poderia ser um single).

Coeso e cativante, “In Our Gun” é um álbum que, apesar de estar acima da média – sendo decididamente melhor do que certos conterrâneos que continuam a apostar numa estafada fórmula britpop avessa a novas referências -, torna-se, a espaços, um pouco derivativo, aproximando-se tanto dos Calexico (“In Our Gun”) ou Morphine (“Shot Shot”) como dos Oasis (“Sound of Sounds”) ou Delakota (“Detroit Swing 66”), passando pelos Pearl Jam, Turin Brakes ou Dave Matthews Band (com estes últimos exibe sobretudo semelhanças no registo vocal e não tanto nas sonoridades).

Exceptuando este entrave, o disco proporciona motivos suficientes para justificar múltiplas audições, casos da energia contagiante de “Drench”, dos intrigantes ambientes de “Army Dub”, dos registos contrastantes de “In Our Gun” (onde a melancolia acústica é subitamente interrompida por uma viciante carga electrónica) ou da irreverência de “Ruff Stuff”.

Não contendo nada nem de genial nem de insípido, “In Our Gun” é mais um recomendável título da interessante discografia dos Gomez, confirmando, ao terceiro registo, um dos bons projectos de terras de sua majestade.

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Autor: Gonçalo Sá