Mariza – virar de página

MARIZA – “Um virar de página”…

…assim Mariza caracteriza o seu mais recente álbum que, já dupla platina em Portugal, tem merecido o melhor acolhimento do público que acompanha a sua paixão por cantar as palavras dos poetas, de que se apropria, pela emoção que coloca na forma com

Mariza tem apresentado o novo álbum, produzido por Jaques Morelenbaum, em vários palcos, nomeadamente no “Live 8” onde foi a única portuguesa participante, entre outros recintos de prestígio, como seja o Carnegie Hall de Nova Iorque ou o Barbican de Londres.

“Transparente” resulta como um cadinho de sentimentos descobrindo-se mais a fadista, tornando-se revelador de Mariza.

Por mais que queira ou não, a voz de Mariza solta-se-lhe para a cantiga e a cantiga é o fado, afinal a canção que a embala desde os tempos de menina, oráculo feito no Zambeze de quem nasceu para cantar.

Mariza é uma moçambicana com a alma moldada na Mouraria – “vivi num bairro típico de Lisboa e sempre cantei o fado, eu sei o que é, entendo-me nele” – foi neste bairro que ouviu os primeiros fadistas, muitos, tantos que não se recorda de todos os nomes e os seus rostos esfumam-se na memória, mas estas “reminiscências sobrevivem no meu cantar”.

Fernando Maurício é uma das suas referências fadistas. Ao lado do vate da Mouraria, surgem Carlos do Carmo e Amália Rodrigues, três nomes a quem presta tributo em “Transparente”.

Este envolvimento fadista existiu desde sempre, mesmo se a sua voz se fez ouvir noutros ritmos, mas a distância de Lisboa trouxe-a ao fado mais convicta do que nunca e esse empenhamento foi notado quando em 2001 editou o seu primeiro álbum, “Fado em mim”.

Os títulos dos seus álbuns já publicados, explicam sempre a sua atitude e forma de estar. Em “Fado em mim” sente-se tanto fado, tanto sentimento, tanto passado e tanto futuro, que se antevê um soltar amarras. Um álbum, quádrupla platina em Portugal, que a impulsiona para a cena internacional que lhe reconhece o talento. A imprensa estrangeira não hesita e atesta que nasceu uma nova estrela. Plateias de vários países acolhem-na entusiasticamente.

A sua energia em palco não passa despercebida. Logo, em 2002, no Festival de Verão do Quebeque é distinguida com o First Award – Most Outstanding Performance. Mariza encara o palco como a sua “sala de estar onde recebo os amigos” e o público sente esse acolhimento.

Actua no Central Park de Nova Iorque, no mítico Hollywood Bowl, no Festival Womad, esgota o Centro Cultural de Belém, em Lisboa e a Purcell Room no Royal Festival Hall, em Londres.

Nesse mesmo ano a BBC Radio 3 considera-a Melhor Artista Europeia na área de World Music, Mariza tinha já conquistado os britânicos aquando da sua actuação no programa de Jools Holland, considerada uma das melhores, razão pela qual foi incluída no DVD comemorativo do lendário programa da BBC TV.

Em Março de 2003, recebe o galardão das mãos de Michael Nyman, no Hackney’s Ocean que fez silêncio para a ouvir cantar. Na noite anterior Mariza tinha actuado na Union Chapel.

Nessa altura é lançado o seu segundo álbum “Fado Curvo” e, se o fado tal como destino não é uma linha recta, logo “o fado não está encerrado em limites”.

Mariza confirma todos os prognósticos feitos. A crítica alemã volta a distingui-la com a Deutscheschalplatten. O álbum atinge o 6º lugar no Top Billboard de World Music.

“Tratar o fado com respeito e dignificá-lo” são os lemas que a fadista cumpre. O álbum junta aplausos da crítica e público, tanto em Portugal como no estrangeiro.

A fadista esgota o Royal Albert Hall, em Londres, a Alte Oper de Frankfurt, o Centro Cultural de Belém, o Théâtre de La Ville, em Paris, entre outros palcos, em sucessivas digressões pela Europa e América do Norte.

Em Portugal os jornalistas estrangeiros reconhecem-lhe “a excelência na divulgação da cultura portuguesa, na sua manifestação mais característica: o fado” e consideram-na Personalidade do Ano 2003.

Este mesmo papel é reconhecido no MIDEM em 2004 ao receber o European Border Breakers Award. Ano em que edita o seu primeiro DVD registando o espectáculo realizado na Union Chapel, em Londres.

Em 2004, ano olímpico, Mariza integra o álbum oficial dos jogos, “Unity”, onde interpreta com Sting o tema “A thousand years”.

Mariza realiza concertos nos quatro continentes com assinalável êxito e salas esgotadas. Abre a temporada do Walt Disney Concert Hall com a Filarmónica de Los Angeles, actua no Teatro Albeniz, em Madrid, 20.000 pessoas aplaudem-na entusiasticamente no Rock in Rio, em Lisboa, sobe ao palco do Teatro Grec em Barcelona, em Aveiro é aplaudida por 30.000 pessoas, é convidada de honra do Festival Internacional da Canção do Cairo, volta a Lisboa onde actua em Monsanto para 22.000 pessoas, participa nos festivais de World Music de Chicago e de Jazz de São Francisco, canta no Centro Cultural de Macau e na Casa da Música em Moscovo.

O fado faz-se à vida pelo mundo, como escreve o poeta, nas palavras transparentes que Mariza canta toda coração.

Em 2005 foi escolhida pelo Reino da Dinamarca para ser uma das embaixadoras internacionais da obra e do espírito de Hans Christian Andersen. A notabilidade alcançada pela fadista tanto em Portugal como no estrangeiro foi uma das razões da escolha para além de no fado, tal como na obra de Hans Christian Andersen, haver uma melancolia de forma poética que se tornou universal.

Pouco mais de um ano após a edição de Transparente, a história de Mariza pelo mundo fora não pára de crescer: tem sido uma viagem de sucesso e reconhecimento que promete continuar nos próximos anos. “Transparente” foi já editado em 35 países de vários continentes. O álbum, que foi número 1 em Portugal, chegou mesmo ao Top 10 em países tão diferentes como a Finlândia ou a Holanda, tendo ocupado o 6º lugar da tabela Europeia de World Music.

Em Julho de 2005 Mariza foi convidada para estar presente no maior evento musical do ano em todo mundo, como foi o Live 8.

No mês de Setembro deu um concerto memorável em Lisboa com a Orquestra Sinfonieta de Lisboa, conduzida por Jaques Morelenbaum, produtor de Transparente. Mais de 20.000 pessoas assistiram a este grande evento, em Belém.

Em Outubro, Mariza foi nomeada pelo comité da UNICEF portuguesa para ser a nova Embaixadora Nacional. Foi ainda no mês de Outubro que a Fundação Amália Rodrigues lhe atribuiu o Prémio de carreira internacional, reconhecendo Mariza como uma das maiores bandeiras da cultura e música portuguesa pelo mundo fora.

Para além da colaboração com José Mercê, na qual interpretam em dueto “Há Uma Música Do Povo”, o poema de Fernando Pessoa musicado por Mário Pacheco, um dos temas mais emblemáticos do último álbum de Mariza; o ano de 2005 terminou em grande, com o lançamento de uma Nova Edição de “Transparente”, (já reeditado em França e Espanha), a qual inclui o falado dueto e um DVD com os vídeos de “Cavaleiro Monge” (do álbum “Fado Curvo”) e “Meu Fado Meu” (de “Transparente”).

Já final de 2005, Mariza foi nomeada pela BBC Rádio 3, para os World Music Awards, na categoria de “Melhor Artista da Europa”. Um galardão que recebeu já em 2003, das mãos de Michael Nyman, em Londres.

Mariza iniciou o ano de 2006 com dois concertos memoráveis na Ópera de Sydney, tendo posteriormente sido nomeada para os prémios australianos “Helpmann Awards” 2006, na categoria de “Best International Comtemporary Concert”.

Em Fevereiro, foi agraciada com a Ordem do Infante Dom Henrique (grau de comendadora) pelo ex-presidente da República Jorge Sampaio, sendo, em Maio, a vencedora do “Globo de Ouro” na categoria de melhor interprete individual.

Mariza continua em viagem pelos 4 cantos do mundo, tocando em salas tão prestigiadas como o Royal Festival Hall em Londres, a Alte Oper de Frankfurt, a Opera House em Sydney, a Filarmonia de Berlim ou o Hollywood Bowl em Los Angeles, acompanhada pela conceituada Hollywood Bowl Orchestra conduzida por John Mauceri.

Durante o mês de Novembro foram mundialmente editados o CD e DVD gravado ao vivo em Setembro de 2005, durante o espectáculo nos jardins da Torre de Belém, com a orquestra Sinfonietta de Lisboa, conduzida por Jaques Morelenbaum.

Em Novembro, para além dos Coliseus de Lisboa e Porto – concertos esgotados com bastante antecedência –, um grandioso espectáculo no mítico Royal Albert Hall, em Londres, onde actuou depois de receber a terceira nomeação para os BBC World Music Awards, na categoria de “Melhor artista da Europa”. Prémio que recebeu em 2003 e para o qual foi igualmente nomeada em 2005.

É nos versos dos poetas que vai procurar palavras suas que canta, numa música antiga que renova constantemente “porque o fado não é limitado, é certo que há uma linha de água e por isso, há que tratá-lo com todo o cuidado e dignidade”, mas isso não é um limite antes um desafio.

Mariza só quer sentir-se “livre para cantar” porque “a voz que tenho é teimosa” tem saudades de si e anda à procura do seu fado.

* FONTE: MTCP, www.mariza.com

Autor: inside