Projeto brasileiro, Tagua Tagua, edita álbum Inteiro Metade na Europa

Sucessor dos EPs Tombamento Inevitável e Pedaço Vivo, Inteiro Metade é um disco sobre ressignificar sentimentos.

Felipe Puperi é o produtor musical a frente do projeto Tagua Tagua, que edita no dia 16 de outubro o álbum Inteiro Metade no Brasil, em parceria com a Natura Musical, e também em simultâneo na Europa, através do selo espanhol Costa Futuro, e nos Estados Unidos. Com nove canções, o disco mergulha entre timbres eletrônicos e orgânicos e apresenta uma faceta mais madura do artista, que até o momento contava com dois EPs na discografia: Tombamento Inevitável (2017) e Pedaço Vivo (2018). Ouça aqui.

Abrindo com a já conhecida Mesmo Lugar, música que fala sobre o início de um processo de ressignificação, que vai sendo diluído ao longo das faixas, Inteiro Metade fecha com Do Mundo, a “faixa mais lenta que já lancei”, comenta Felipe. Como uma espécie de libertação, a última canção é um renascimento. “É um disco sobre o processo de encontrar novos espaços pras mesmas pessoas dentro da vida. É ser inteiro num dia e metade noutro. É a caminhada da transformação, da aceitação dessa mudança dentro de nós. Nesse percurso, aparecem os mais variados sentimentos: euforia, alegria, gratidão, saudade, tristeza, luto. Morre uma relação pra nascer outra”, resume Felipe, que também assina a produção musical.

A identidade visual do projeto é assinada por João Lauro Fonte, que produziu os lyric videos dos singles revelados antes do disco, bem como as capas dos mesmos: Inteiro Metade, Mesmo Lugar, 4am e Só Pra Ver.

No Brasil, Inteiro Metade foi selecionado pelo edital da Natura Musical, por meio da lei estadual de incentivo à cultura do Rio Grande do Sul (Pró-Cultura), ao lado de Vitor Ramil, Zudizilla e Tem Preto no Sul, por exemplo. No Estado, a plataforma já ofereceu recursos para 30 projetos até 2019, como Filipe Catto, Bloco da Laje, Borguetti e Yamandu, Musa Híbrida, Sons que Vem da Serra e Thiago Ramil.

Europa e Estados Unidos

E, além do lançamento no Brasil, Tagua Tagua está apostando em diferentes territórios: Europa e Estados Unidos. Na Europa, a parceria é com o selo Costa Futuro, dirigido pelo chileno, radicado em Barcelona, Sebastian Ruiz-Tagle, que comenta sobre a aposta no som do artista brasileiro: “A música de Tagua Tagua explora diversos terrenos. Está em contato com a tradição da música popular brasileira, surgem peças de Jorge Ben, Gilberto Gil e samba tradicional, mas, ao mesmo tempo, se projeta fortemente no futuro, exibindo sons atuais e universais. Essa facilidade de conciliar a diversidade em um trabalho total e consistente, acho cativante. Tagua Tagua contribui com toda essa riqueza para o selo”.

Já nos EUA, a atuação é independente, o projeto está conectado com uma rede de diferentes frentes, como booking e assessoria de imprensa. A aposta no país foi muito em função de continuar o que o artista vem construindo por lá: em 2019, se apresentou no Brasil Summerfest NYC, abriu dois shows para The Growlers e tocou no Baby’s All Right, famoso reduto de músicos localizado no Brooklyn. Além disso, emplacou o single Peixe Voador na trilha do FIFA 2020, jogo da EA Sports.

Tagua Tagua esteve em Portugal em 2019 e realizou dois concertos: no Valsa, em Lisboa, e no Maus Hábitos, no Porto. Enquanto esteve na Europa, Felipe Puperi, inclusive, tocou nas bandas dos também brasileiros, Filipe Catto e Rubel. Para 2021, ele pretende voltar para Lisboa e passar uma temporada em terras portuguesas: “Quero conhecer mais de perto os artistas de Portugal, pensar em possíveis parcerias, estreitar ainda mais os laços entre o Brasil e a Europa. Tenho certeza que será um período bem importante na trajetória do Tagua Tagua”, diz.

Faixa a faixa

A faixa que abre é Mesmo Lugar, uma das mais animadas do disco. “Foi a primeira a ser composta quando imaginei ter um álbum completo, pois flerta com o Soul, gênero que eu gosto bastante. Isso é bem notável na levada da bateria e também nas frases de sopros”, conta Felipe. A letra retrata o primeiro momento do reencontro de uma pessoa com ela mesma, depois de um longo período dividindo a vida com alguém. É o início do processo de ressignificação, a soma de mil sentimentos: euforia, tristeza, prazer, alegria, medo e solidão.

“Só Pra Ver é a faixa que escolhi como música de trabalho do disco”, revela. A música trata com irreverência, tanto no arranjo quanto na letra, as dificuldades de se desvencilhar da outra pessoa. “Você tenta, vai longe, e sempre acaba voltando nela, nem que seja apenas na imaginação. Essa canção também tem algo Soul, o que faz com que o álbum comece com uma identidade definida”, aponta o produtor.

Terceiro single apresentado do disco, 4am dá sinais de um caminho mais introspectivo. Com levadas orgânicas, mas baseadas em beats eletrônicos, a música dá vazão à um estado mais etéreo. Ela passeia com os sintetizadores e piano elétrico por um grande sonho que, com poucos elementos, traduz o sentimento da letra no arranjo.
2016 foi, de fato, composta e gravada em 2016 e será a música de trabalho escolhida para o lançamento do álbum. “Eu apenas regravei algumas coisas e fiz pequenas modificações no arranjo pra casar com o disco. Escolhi essa faixa para essa sequência, pois faria sentido no disco entrar esse momento nostálgico de reflexão. É uma balada, que traz uma certa melancolia e tristeza na aceitação de ressignificar a outra pessoa”.
“Bolha é uma música que já tocávamos nos shows e sempre imaginei no disco”, conta. Com a pegada Soul, que predomina em vários momentos do álbum, naipe de metais e solos de sintetizador, a canção é uma auto análise bem pessoal. É o momento de olhar pra si e se perceber no mundo.

Considerada a canção mais séria do disco, Até Cair quase não tem guitarra, é toda baseada em sintetizadores e no beat. E vem seguida de Inteiro Metade, faixa que leva o nome do disco: “essa música representa bem o sentimento do álbum todo. Como o disco é quase uma linha do tempo dos momentos e reflexões desse processo, ela acaba sendo o ponto de intersecção entre a linha da saudade (na melancolia da letra) e a linha da aceitação (no arranjo fluido, leve, que indica o progresso). A música, de certa forma, exalta que não tem como passar por isso sem ser inteiro num dia e metade no outro”, reflete.

Sopro, como o título da música diz, é um fragmento de sentimento. “Gosto muito dessa canção, pois ela é totalmente experimental, tem apenas uma frase que diz tudo o que tinha que ser dito. Já é uma preparação para o novo que está por vir, é a aceitação, é a vontade, é tudo que eu nunca tinha feito antes nesse projeto também. Toda música é baseada em samples que criei no estúdio”, lembra Felipe.
Do Mundo é a canção mais melancólica de todas e simboliza a fase final de todo esse processo bonito: Vem, me abraça e me envolve nos teus sinais, que agora eu sou o mundo, que agora eu sou o mundo, que agora eu sou do mundo.

 

DISCOGRAFIA:
Tombamento Inevitável (EP – 2017)
Te Vi (single – abril/2018)
Preso no Amanhã (single – junho/2018)
Pedaço Vivo (EP – 2018)

SOBRE TAGUA TAGUA

No final de 2017, Felipe Puperi, compositor e produtor musical gaúcho, deu início ao seu projeto solo chamado de Tagua Tagua, radicado em São Paulo. Desde então, já lançou os EP’s Tombamento Inevitável (2017) e Pedaço Vivo (2018) e viu seu nome como uma das promessas da música brasileira. Atualmente, se prepara para lançar o primeiro disco, Inteiro Metade, em parceria com a Natura Musical. Tagua Tagua também se destaca qualidade nos clipes que produz. Os vídeos de Rastro de Pó e Desatravessa chamam a atenção por suas impressionantes narrativas e fotografia.

Vocalista e compositor do Wannabe Jalva por sete anos, banda que esteve no Lollapalooza 2013, Felipe abriu shows de Pearl Jam, Jack White e já foi destaque na KCRW, NY Times, Stereogum, Brooklyn Vegan e WFUV. Como Tagua Tagua, já passou por diversas cidades brasileiras, entre elas, São Paulo, Porto Alegre, Rio de Janeiro e por festivais de música pelo Brasil como Fervura Feira Noise, Suíça Bahiana e MECA Maquiné. Em 2019, além de ter realizado shows na cidade de Lisboa e Porto, em Portugal, também fez sua primeira turnê nos Estados Unidos, onde se apresentou no Brasil Summerfest NYC, abriu dois shows para The Growlers e tocou no Baby’s All Right, famoso reduto de músicos localizado no Brooklyn. Além disso, emplacou o single Peixe Voador na trilha do FIFA 2020, jogo da EA Sports, e está preparando seu primeiro álbum para o segundo semestre de 2020.

 

 

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