BE COOL

“Charango”, dos Morcheeba

Tranquilo e refrescante, “Charango” apresenta um conjunto de canções apropriadas para uma apaziguada tarde de Verão e constitui uma das boas propostas da discografia dos Morcheeba.

Após três álbuns que os tornaram num dos nomes centrais do trip-hop, os Morcheeba apresentaram em 2002, com “Charango”, um sólido regresso após a recepção algo fria de que o álbum anterior, “Fragments of Freedom”, foi alvo.

Expondo mais semelhanças com o segundo registo de originais, “Big Calm”, do que com o seu antecessor, “Charango” apresenta aquilo que o trio britânico sabe fazer melhor: um conjunto de canções baseadas no formato trip-hop que não recusam contaminações da soul, pop, funk, R&B e hip-hop.

Embora leves e acessíveis, com potencial para constarem em playlists formatadas – de que foram exemplo os singles “Otherwise” e “Way Beyound” – os temas do disco condensam também engenho e subtileza q.b., não se esgotando às primeiras audições e constituindo um apelativo cardápio sonoro.

Uma das maiores forças do trio é a voz de Skye Edwards (aqui na sua última colaboração, uma vez que a vocalista desistiu do projecto entretanto), sedutora e envolvente, que se entrelaça naturalmente com as atmosferas lânguidas e apaziguadas das canções.
Para além de Edwards, “Charango” conta ainda com as vozes dos rappers Pace Won e Slick Rick e do vocalista dos Lambchop, Kurt Wagner (que participa no grande momento do álbum, “What New York Couples Fight About”, uma das melhores canções dos Morcheeba).

Embora seja um disco agradável e consistente, “Charango” peca por não acrescentar muito ao que a banda fez em registos anteriores, limitando-se a dar continuidade aos ambientes de “Big Calm”. Tal não é necessariamente negativo, sobretudo quando a maioria das canções são convincentes – e por vezes muito boas, como “Get Along” e “Public Displays of Affection” -, mas não faz deste um disco especialmente ousado ou inventivo. É, contudo, um álbum que ainda irradia frescura e vitalidade mais do que suficientes para se tornar num objecto a ouvir, de preferência numa tarde calorosa marcada pela tranquilidade e inércia.

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Autor: Gonçalo Sá