“Music”, de Madonna

A RAINHA DA NOITE

Entre a pop e o techno, “Music” é um dos mais contagiantes discos de Madonna e uma das mais recomendáveis companhias para os dias (e noites) festivos indissociáveis dos tempos de Verão.

Depois dos pouco profícuos álbuns que editou no início da década de 90 – o datado “Erotica” e a mediana passagem pelo R&B de “Bedtime Stories” -, Madonna reinventou-se em 1998 com o marcante “Ray of Light”, feliz aposta na pop electrónica que assegurou um regresso em grande após um período de menor visibilidade.

“Music”, de 2000, volta a enveredar por domínios electrónicos, mas desta vez as canções não apresentam a vertente intimista e contemplativa do álbum antecessor, antes optam por tons mais festivos e dançáveis.

William Orbit, nome fulcral na produção de “Ray of Light”, colabora apenas pontualmente em “Music”, uma vez que é o francês Mirwais que se ocupa da maioria dos temas. O french touch de Mirwais é evidente, tanto pela forte recorrência a vocoders como às contaminações house a la Daft Punk presentes em alguns momentos, tornando “Music” num portento de energia cinética e vibração.

Uma das mais interessantes inovações que o produtor francês traz é a componente electroacústica que vinca a maioria dos temas, gerando episódios de considerável experimentalismo, raros num disco tão mainstream (e que seriam aprimorados no registo seguinte, “American Life”).

“Music” é um contagiante party album que contém uma série de bons momentos, desde o ultra-eficaz single homónimo, o enérgico e bizarro “Impressive Instant”, a irresistível doçura pop de “Amazing”, a melancolia e envolvência de “Nobody’s Perfect” ou a tranquilidade agridoce de “I Deserve It” (a mais bela canção do disco).

Indo do techno ao trip-hop, passando pelo funk ou electro, “Music” é um álbum inspirado e reluzente, e embora não seja tão coeso como o seu antecessor consegue deixar bem claro que Madonna é, ainda, a Rainha da Pop.

Aproximando-se aqui de outros projectos que oscilam entre esferas mainstream e alternativas – como os Garbage (de “Version 2.0” e “beautifulgarbage”), os Ladytron ou os Cardigans (fase “Gran Turismo”) – a cantora proporciona um sólido e sofisticado conjunto de canções que prometem incendiar qualquer festa, num dos seus álbuns mais contagiantes. Para ouvir e dançar…

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Autor: Gonçalo Sá