Leituras no Mosteiro continuam com Amor de Perdição

Obra de António S. Ribeiro, construída a partir da novela homónima de Camilo Castelo Branco, encerra o ciclo dedicado aos libretos de ópera

Esta terça-feira, 16 de novembro, o Centro de Documentação do Teatro Nacional São João promove a última sessão das Leituras no Mosteiro – atividade coordenada por Nuno M Cardoso e Paula Braga – dedicada a uma forma literária cada vez menos tida em consideração: os libretos de ópera. A atividade irá focar-se em Amor de Perdição (1991), que António S. Ribeiro escreveu a partir do romance homónimo de Camilo Castelo Branco. O libreto privilegia o monólogo, forma de expressão do discurso passional na novela, e a sua elaboração assenta sobre os textos epistolares, onde se inscreve o desejo, o luto e a paixão. A sessão está agendada para as 19h00, no Mosteiro de São Bento da Vitória, e tem entrada gratuita.

Autodenominada de “drama musical para cantores, atores e músicos”, a ópera teve uma receção também ela “apaixonada”, aquando da sua primeira apresentação na Europália 91, com encenação de Ricardo Pais. Entre os comentários feitos na época, destaque para o do escritor Eduardo Prado Coelho, que deu nota de algumas das disrupções técnicas e estéticas, como o “deslizar da ópera para o teatro, a duplicação atores-cantores”, sublinhando assim a performatividade das palavras ditas e cantadas

Também a composição musical, a cargo de António Emiliano, foi elogiada pelo musicólogo Rui Vieira Nery, não só pela “sensação de profundo impacto emocional”, mas também pela “maneira modelar como ela conseguiu apropriar-se do libreto, transcendê-lo e transformar-se a si própria em dramma per musica”.

A próxima sessão das Leituras no Mosteiro está marcada para 21 de dezembro e irá versar-se sobre a dramaturgia contemporânea em língua portuguesa, lendo textos criados do Laboratório END, uma das iniciativas-satélite dos Encontros de Novas Dramaturgias.

O Teatro Nacional São João (TNSJ) é, desde 2007, uma Entidade Pública Empresarial, assumindo ainda a responsabilidade da gestão de mais dois espaços culturais da cidade do Porto: Teatro Carlos Alberto e Mosteiro São Bento da Vitória. O TNSJ é o único membro português na União dos Teatros da Europa (UTE), organização que congrega alguns dos mais importantes teatros públicos do espaço europeu, integrando o Conselho de Administração da entidade.