Pierre Bastien, Vuduvum Vadavã e Cire Ndiaye

Pierre Bastien é um músico francês que atua na fronteira entre as artes plásticas e a música, seguindo uma longa tradição de luthiers (construtores de instrumentos de cordas com caixa de ressonância) insólitos que remonta aos órgãos hidráulicos de Arquimedes. Michel F. Côté, músico e habitual colaborador de Pierre Bastien, classifica o trabalho deste como “uma orquestra de som atemporal, futurista e levemente Dada, evocando tradições antigas na sua música surpreendentemente sensual”.

Em contexto de instalação ou concerto, o centro da performance está nas invenções mecânicas de Pierre Bastien construídas a partir de peças Meccano, que ativam todo um aparato de instrumentos do-it-yourself através de motores e engrenagens. A complexidade dos mecanismos contrasta com a fragilidade das estruturas que os sustentam e isso manifesta-se na música que deles emana uma transparência que encontramos também na música dos vários artistas com quem Bastien tem colaborado, como Robert Wyatt, Pascal Comelade ou Jaki Liebezeit. Esta orquestra delicada projeta um jogo de sombras que nos remete para a antiguidade imaginária do gamelão javanês e das orquestras reais do Uganda descritas pelo génio bizarro de Alfred Jarry ou Raymond Roussell.

Para a apresentação no TBA, Pierre Bastien faz-se acompanhar por Vuduvum Vadavã, alterego de Marta Ângela (metade de Von Calhau!, artista multidisciplinar com uma prática extensa na manipulação de signos por via do som, da palavra e de artefactos visuais) e da jovem violinista Cire Ndiaye, que tem vindo a traçar um percurso peculiar entre a música clássica, a pop e a improvisação.
20 Janeiro – Sexta 19h30
12 € – Sala Principal – Duração 60 min. – M/6BIOS
Pierre Bastien (nascido em Paris, 1953) é doutorado em Literatura Francesa do século XVIII na Universidade Paris-Sorbonne. Em 1977, construiu o seu primeiro conjunto de máquinas musicais. Nos dez anos seguintes, compôs para companhias de dança e tocou com Pascal Comelade. Em simultâneo, desenvolveu continuamente a sua orquestra mecânica. Desde 1987 que se foca essencialmente neste projecto, seja através de apresentações solo, instalações sonoras, gravações ou de colaborações com artistas como Pierrick Sorin, Karel Doing, Jean Weinfeld, Robert Wyatt ou Issey Miyake.
Marta Ângela é, em conjunto com João Alves, Von Calhau!, uma dupla de artistas portuenses com um vasto trabalho de colaboração nas áreas da música e das artes visuais
Natural de Viana do Castelo, Cire Ndiaye é violinista de formação clássica, atriz, performer, criadora, cantora e compositora. É violinista e vocalista do projeto musical As Docinhas. Tocou desde cedo na orquestra Aproarte, na Jovem Orquestra Portuguesa, na Orquestra de Câmara Portuguesa e na Joven Orquesta Nacional de España, tendo-se internacionalizado na Alemanha (Konzerthaus Berlin e Kassel), na Roménia (Ateneu Romeno) e em Espanha (Riojaforum). Em Portugal apresentou-se na Casa da Música, no Centro Cultural de Belém, no Teatro Rivoli, no Teatro D. Maria II e na Culturgest, entre outros palcos, em peças de teatro como Carta, de Mónica Calle (Lisboa, Espanha e Bélgica), Another Rose, de Sofia Santos Silva (Amélia Rey Colaço 2021/22) e com Sónia Baptista na peça
Wow.
FICHA TÉCNICA
Trompete e objetos
Pierre Bastien
Voz e Eletrónicas, Paua (synth)
Vuduvum Vadavã
Violino
Cire Ndiaye

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